As comissões de Saúde, Segurança Pública e Direitos Humanos da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) participaram de reunião conjunta nesta terça-feira (9) para discutir o fechamento do HCTP (Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico). Governo de SC diz que rede de saúde não está “100% preparada” para atender a demanda.
Fechamento de hospital de custódia em SC ainda gera divergências
O secretário de Estado da Saúde de Santa Catarina, Diogo Demarchi da Silva, destacou no encontro que a secretaria tem entraves em relação à abertura de novos leitos de saúde mental.
“Temos muita dificuldade em convencer. Hospitais que desejam abrir leitos de saúde mental são raros. Atualmente estou negociando com três para abrir esses espaços. Há uma dificuldade muito grande, independentemente das finanças”, afirma.
Demarchi afirma que, no início, o hospital de custódia contava com cerca de 90 pacientes e atualmente conta com cerca de 45, dos quais 9 não conseguem ser absorvidos pela rede.
- O secretário explicou ainda que os pacientes estão sendo “acompanhados” pelos profissionais da instituição para “verificar as possibilidades” de encaminhamento.
“Santa Catarina não está 100% preparada para esta situação. Temos que deixar claro que a nossa rede de saúde é muito forte e os profissionais que estão lá diariamente fazem milagres, extraindo leite da pedra”, acrescenta.

O secretário afirma ainda que Santa Catarina possui atualmente 819 leitos psiquiátricos no Estado e a rede de saúde conta com 115 CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) funcionando com cofinanciamento estadual.
“Não vejo, até agora, os olhos do Ministério da Saúde neste tópico. É muito simples dizer, mas quem trabalha no dia a dia sabe quais são os desafios que temos que enfrentar”, explica Diogo Demarchi.
Entenda a situação
A decisão de fechar todos os hospitais de custódia do país – que abrigam pessoas com doenças mentais graves que cometeram crimes – foi determinada com base na Resolução nº 487/2023 do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Desde fevereiro deste ano, pessoas que cometeram crime, mas foram consideradas inimputáveis devido ao seu quadro psiquiátrico, não podem mais ser internadas na única unidade estadual do Hospital Psiquiátrico, que fica no Complexo Penitenciário Agronômico, em Florianópolis.
Resolução do CNJ prevê encaminhamento de pacientes do Hospital de Custódia para hospitais gerais
A resolução do Conselho Nacional de Justiça que institui a ‘política antimanicomial’ prevê o encaminhamento de pacientes para hospitais gerais, centros de atenção psicossocial e serviços residenciais terapêuticos. Porém, SC não tem estrutura para acomodar as mais de 50 pessoas que estão internadas atualmente no Hospital de Custódia.
Para tentar contornar a situação, o documento da Alesc cita a decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que concedeu liminar a favor do Estado do Rio de Janeiro para manter em funcionamento os hospitais de custódia.
Para o deputado Vicente Caropreso, que apresentou a moção, a questão do encerramento do Hospital de Custódia é complexa e pode gerar graves problemas sociais e de segurança à população.
“Não sabemos se o sistema de saúde mental do estado está preparado para atender essas pessoas. Sem garantias adequadas, a segurança da população pode ser colocada em risco. Santa Catarina, assim como fez o Rio de Janeiro, pode envidar esforços para evitar o fechamento do hospital de custódia, pelo menos até que esse processo de transição seja construído de forma robusta. É isso que estamos propondo à PGE”, afirmou.
Política Anti-Asilo
A Política Antimanicomial regulamentada pelo CNJ prevê a revisão individualizada dos processos judiciais e o desenvolvimento de PTS (Projeto Terapêutico Singular) para pessoas com transtornos mentais em conflito com a lei.
A norma atende à Reforma Psiquiátrica, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo de atenção à saúde mental, proibindo a internação de pacientes com transtornos mentais em instituições com “características manicomiais”.
Dessa forma, a Resolução do CNJ estabelece o encaminhamento pela autoridade judiciária dos casos de saúde mental às equipes de saúde para que possam indicar e realizar o tratamento adequado a cada paciente.
Prazo foi prorrogado
Ó CNJ prorrogou o prazo para estados e municípios adequarem seus sistemas à Política Antimanicomial do Judiciário. Agora, o prazo para fechamento de estabelecimentos, alas ou instituições similares de custódia e tratamento psiquiátrico no Brasil é 28 de agosto de 2024.
Posicionamento da SES/SC
A SES/SC (Secretaria de Saúde do Estado de Santa Catarina) enviou nota informando que está colaborando com o Tribunal de Justiça para implementar a Resolução 487/2023, que busca promover a reforma psiquiátrica no âmbito do Judiciário.
Além disso, afirmou que desde junho de 2023 a SES vem formando a Equipe Estadual de Avaliação e Acompanhamento (EAP) para desinstitucionalizar e reintegrar pessoas com transtornos mentais em conflito com a lei.
Veja abaixo a nota na íntegra:
A Secretaria de Estado de Saúde de Santa Catarina (SES/SC) tem conversado com o Tribunal de Justiça e todos os envolvidos para buscar as melhores soluções neste cenário. A SES continua trabalhando para atender às prerrogativas da Resolução 487/2023 do Conselho Nacional de Justiça, que estabelece a reforma psiquiátrica no âmbito do Judiciário. Num esforço da Secretaria de Atenção Básica à Saúde (DAPS), iniciou-se, em junho de 2023, a formação da Equipe Estadual de Avaliação e Acompanhamento de Medidas Terapêuticas Aplicáveis às Pessoas com Transtorno Mental em Conflito com a Lei (EAP) no Estado . de Santa Catarina para trabalhar com pessoas em sofrimento psíquico em conflito com a lei.
A equipe tem trabalhado para desinstitucionalizar as pessoas em tratamento psiquiátrico em uma casa de repouso, por meio do tratamento de saúde no seu território de saúde de origem, reinserindo-as no convívio social. Atualmente, há 45 pessoas internadas no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP) aguardando avaliação para desinstitucionalização.
O Estado de Santa Catarina cofinancia as equipes de Saúde Prisional (PNAISP), os CAPS microrregionais e o SRT II (Serviço Residencial Terapêutico). Na Deliberação nº 002 CIB, de 8 de fevereiro de 2024, foram aprovados valores que variam entre R$ 2 mil e R$ 10,5 mil, dependendo da composição da equipe. Também foi previsto cofinanciamento para implantação de CAPS microrregionais no valor de R$ 120 mil e para o custeio mensal o valor de R$ 6 mil.
Na Deliberação nº 039 CIB, de 7 de março de 2024, há cofinanciamento para o SRT II com R$ 10 mil para implantação e custos mensais com valores variáveis de acordo com o número de moradores de R$ 10.168,80 a R$ 25.422,00, o mesmo valor que a União.
Atualmente SC conta com 24 municípios com 35 equipes PNAISP implantadas, 04 SRT II e 02 SRT I, 20 CAPS microrregionais, 51 CAPS I, 16 CAPS II, 02 CAPS III, 15 CAPS AD, 02 CAPS AD III, 10 CAPS i e 01 Unidade de Recepção (UA).
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