O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, argumentou que as decisões da Corte atrapalharam o combate à corrupção no Brasil.
A afirmação ocorreu nesta terça-feira durante reunião na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, enquanto o ministro citava julgamentos contra as bandeiras da Operação Lava-Jato em que sua posição foi derrotada.
— O Supremo Tribunal anulou o processo contra um diretor de uma empresa estatal que havia desviado alguns milhões porque os argumentos finais foram apresentados pelos réus cooperantes e pelos réus não cooperantes na mesma data, sem causar qualquer dano. Acho também que atrapalhou o combate à corrupção — disse o ministro.
Barroso afirmou que “houve decisões tomadas pelo Supremo Tribunal em matéria de combate à corrupção que não corresponderam às expectativas da sociedade”, mas destacou que o facto de discordar não lhe permite “tratar com desrespeito a posição de pessoas que pensam diferente”. .
O ministro foi um dos principais defensores das bandeiras da Lava-Jato no STF. Entre as decisões contrárias referenciadas por Barroso esta terça-feira estão o fim da prisão em segunda instância e a anulação de sentenças devido à ordem para que denunciantes se manifestem no processo.
Por outro lado, o presidente do Tribunal destacou as decisões do Tribunal com as quais concorda, ainda que tenham provocado reações na sociedade.
O ministro citou a equiparação da homofobia ao crime de racismo, o reconhecimento da união civil entre casais do mesmo sexo, a liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias e a autorização do aborto para fetos anencéfalos.
Nesse sentido, Barroso destacou que “a importância de um tribunal não pode ser avaliada em pesquisas de opinião pública, porque há interesses conflitantes na sociedade e sempre haverá reclamações e insatisfações”.
Defesa do sistema eleitoral
Barroso afirmou que não há chance de que o que “está acontecendo hoje na Venezuela” aconteça no Brasil. A declaração ocorreu enquanto o ministro citava posição contrária da Corte em relação à volta do voto impresso no país —bandeira levantada pelo bolsonarismo nas eleições de 2018 e 2022.
— O STF atuou intensamente contra a volta do voto impresso, que sempre foi caminho para fraudes no Brasil. Não há chance do que está acontecendo hoje na Venezuela acontecer no Brasil ou qualquer tipo de acusação como a que Donald Trump fez na eleição (americana) que perdeu (2020). Aqui a votação é eletrônica e o código-fonte é aberto com um ano de antecedência. Qualquer um pode fiscalizar — disse Barroso.
A autoridade eleitoral venezuelana proclamou oficialmente o Presidente Nicolás Maduro vencedor das eleições de domingo, cujo resultado não foi reconhecido pela oposição e foi questionado por vários países, incluindo o Brasil, devido à falta de transparência no processo.
A Venezuela utiliza um sistema eletrônico para contagem de votos e cédulas físicas para auditar o resultado.
O ministro também se posicionou contra o aborto ao declarar que criminalizar a interrupção da gravidez “não é uma boa política pública”.
A fala ocorreu em meio ao debate sobre o projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados que equipara o aborto após a 22ª semana de gravidez ao crime de homicídio, inclusive no caso de estupro.
— O Supremo Tribunal terá que decidir novamente sobre este assunto no futuro. Tentei promover a ideia de que é possível ser contra o aborto e que isso não pode ser confundido com a prisão da mulher. Preciso orientar isso em algum momento, mas não gostaria de orientar contra o entendimento da maioria da população brasileira — destacou o ministro.
Críticas ao Supremo Tribunal
Ao abordar a atuação do STF, Barroso citou o crescimento da midiatização da Corte — decorrente de decisões durante a pandemia da Covid-19 — e dos ataques a ministros.
— Desde 2018 não podemos mais sair sozinhos na rua por conta de um espírito agressivo e de alguns trogloditas. O país mudou. Há quem crie situações para filmar e postar nas redes sociais. O mundo ficou assim. Sinto muito, mas também não é culpa do Supremo — disse ela.
O presidente do STF também defendeu os juízes de críticas quanto à sua participação em eventos internacionais ou empresariais.
— Não se deve pensar que a imparcialidade será prejudicada pela participação de um ministro num evento. Estar no Judiciário é estar disponível para críticas. Ninguém viaja com passagens pagas pelo Supremo além do presidente do Tribunal — destacou.
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