O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul foi um recado ao governo do argentino Javier Milei, que não esteve presente na primeira reunião de presidentes realizada desde que assumiu o poder, no dia 10 de dezembro.
Em seu discurso, Lula defendeu o fortalecimento do Instituto Social e do Instituto de Políticas Públicas e Direitos Humanos do bloco, questionou as tentativas de “apagar” a palavra gênero dos acordos e iniciativas regionais e de implementar um “pseudo aggiornamento” do Mercosul , entre outros pontos destacados do discurso.
Esses e outros trechos do texto lido pelo presidente foram, segundo fontes do governo brasileiro, mensagens diretas à Casa Rosada.
A deterioração das relações bilaterais parece ser um caminho sem volta. Como se não bastasse a tensão entre os dois presidentes, as agendas dos seus governos são notoriamente antagónicas. Uma aproximação é difícil de imaginar hoje.
Nas últimas semanas, o governo Lula começou a ficar incomodado com as posições e atitudes da Argentina dentro do Mercosul, faltando apenas algumas semanas para a reunião dos presidentes no Paraguai. As divergências tornaram-se evidentes e impossíveis de serem superadas na cúpula de Assunção e, por fim, Lula dedicou grande parte de seu discurso a enfatizar as posições do Brasil em seus embates com os argentinos.
“Um pseudo “aggiornamento” que afasta o Mercosul de suas bases sociais nos enfraquece. Excluir a palavra gênero dos documentos só piora a violência cotidiana sofrida por mulheres e meninas”, disse Lula, respondendo a propostas da Argentina que o Brasil rejeita categoricamente.
Outra delas é, confirmaram fontes brasileiras, bloquear a criação de um grupo de trabalho sobre comércio e mulheres.
“Para superar flagelos como a fome, a pobreza e as desigualdades, é importante ter um Instituto Social forte, com meios para estabelecer metas e ações concretas. O Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos deve ter os recursos necessários para apoiar nossos países na complexa tarefa de garantia de direitos e dignidade”, declarou o presidente brasileiro.
Lula se refere a dois institutos que a Argentina de Milei não considera prioritários dentro do bloco, como já expressaram representantes de seus governos.
Em momentos de extrema tensão entre Lula e Milei, após um fim de semana em que o argentino participou de uma reunião da extrema direita internacional em Camboriú ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, o chefe de Estado brasileiro também destacou as diferenças entre ambos em termos de visão sobre o papel do Estado na Economia.
Em Santa Catarina, Milei pregou mais uma vez um estado enxuto e uma economia totalmente aberta ao mundo.
“Quem conhece a história da América Latina reconhece o valor do Estado como planejador e indutor do desenvolvimento. No mundo globalizado, não faz sentido recorrer ao nacionalismo arcaico e isolacionista. experiências liberais que só agravaram as desigualdades na nossa região”, alfinetou Lula.
Quem acompanhou recentemente os debates no Mercosul e o conflito entre os dois chefes de Estado entendeu a quem se destinava a mensagem do presidente brasileiro.
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