A investigação da Polícia Federal (PF) sobre presentes supostamente recebidos por Jair Bolsonaro (PL) em viagens oficiais mostrou que alguns dos itens foram vendidos e recomprados por seus principais aliados.
A investigação apurou que os valores recebidos entraram no patrimônio pessoal do ex-presidente. Por lei, porém, esses objetos deveriam ter sido incorporados ao acervo da Presidência da República como bens públicos.
Ao longo da investigação, a defesa de Bolsonaro chegou a afirmar que ele agiu dentro da lei” e “declarou oficialmente os bens muito pessoais recebidos em viagens”.
Esses itens, portanto, deveriam fazer parte de seu acervo particular, sendo por ele levados ao final de seu mandato.
Em um dos textos assinados pelos advogados, são citados dispositivos legais que respaldariam a postura do ex-presidente em relação aos itens recebidos.
Presentes recebidos por presidentes
Uma das normas citadas é uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2016, que regulamentou o recebimento de brindes por presidentes.
Ao votar na ocasião, o ministro Walton Alencar, relator do caso, usou justamente como exemplo uma situação envolvendo pedras preciosas.
“Imaginem, aliás, a situação de um chefe de governo presenteando o Presidente da República do Brasil com uma grande esmeralda de valor inestimável, ou um quadro valioso. Não é razoável afirmar isso, com base no título da cerimônia , os presentes, valiosos ou não, poderão ser incorporados ao patrimônio privado do Presidente da República, desde que os receba nesta qualidade pública”, escreveu.
O vice-procurador-geral do Ministério Público no TCU, Lucas Furtado, também discordou da tese de Bolsonaro.
Em depoimento à jornalista Bela Megale, colunista do GLOBO, ele afirmou que, se as joias fossem realmente de uso pessoal ou muito pessoal, “deveria ter sido pago imposto” na chegada ao Brasil, o que não aconteceu. “Isso vale para qualquer mortal brasileiro.”
Na ocasião, o presidente do TCU, Bruno Dantas afirmou que existem alguns requisitos a serem cumpridos para que um item seja considerado “muito pessoal” pelo presidente:
“Segundo a jurisprudência deste Tribunal de Contas desde 2016, para que uma doação possa ser incorporada no património pessoal da autarquia é necessário cumprir um binómio: uso muito pessoal, como uma camisola de futebol, e um valor monetário baixo”.
Comercialização
Segundo as investigações, os auxiliares de Bolsonaro venderam ou tentaram vender, com o seu conhecimento, pelo menos quatro (ou cinco) presentes de alto valor recebidos por ele em viagens oficiais ao exterior. Dois foram entregues pela Arábia Saudita e dois pelo Bahrein.
Na investigação, a PF aponta a existência de uma organização criminosa em torno do ex-presidente que atuou para desviar joias, relógios, esculturas e outros artigos de luxo recebidos por ele como representante do Estado brasileiro.
Entre os brindes negociados estão relógios das marcas Rolex e Patek Philippe, para a empresa Precision Watches, no valor total de US$ 68 mil, o que corresponde a R$ 346.983,60 na época.
Neste caso, o ex-ajudante de campo Mauro Cid esteve pessoalmente em uma loja em Willow Grove para vender a peça. Uma foto do comprovante de depósito estava guardada no celular do policial e outra imagem mostra seu pai, Lourena Cid, refletido em outro item.
Indiciado pela PF, Bolsonaro optou pelo silêncio ao ser chamado a depor. Em outras ocasiões, negou ter ordenado a venda de joias, disse que não pediu nem recebeu presentes e reiterou que “não houve ilegalidade”.
Veja também
Joia
Bolsonaro mudou sua versão sobre joias ao longo da investigação; sabe o que ele já disse
SÃO PAULO
Partido de Nunes pede multa a vereador que fez busca em apoio a Boulos
emprestimos pessoal em curitiba
quem tem bpc pode fazer empréstimo
bancos inss
antecipar decimo terceiro itau
cartao itau inss
emprestimo pessoal 5 mil
empréstimo consignado melhores taxas