Nesta quinta-feira, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra agentes públicos vinculados ao município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense no âmbito da Operação Venire.
A investigação tem como alvo uma associação criminosa responsável por inserir dados falsos de vacinação contra a Covid-19 no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) e na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), ambos do Ministério da Saúde.
A ação visa identificar novos beneficiários do esquema fraudulento, segundo a PF.
O município foi utilizado para registrar dados falsos de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro, do ex-ajudante Mauro Cid e de seus familiares. A ação visa identificar novos beneficiários do esquema fraudulento, segundo a PF. Entre os alvos estão o atual secretário estadual de Transportes Washington Reis, ex-prefeito de Caxias, e Célia Serrano, secretária de Saúde do município. Reis era aliado de Bolsonaro e irmão do deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ).
Em março, a Polícia Federal indiciou Bolsonaro, Gutemberg Reis e Mauro Cid na investigação de fraude no cartão de vacina. Eles foram acusados dos crimes de associação criminosa e de inserção de dados falsos em sistema de informação.
Ao concluir inicialmente o relatório, a PF destacou que Bolsonaro não só tinha conhecimento do esquema de fraude, como também ordenou a falsificação. “Diversos atos de acesso ao sistema ConecteSUS, incluindo a impressão de certificado de vacinação ideologicamente falso, foram realizados na residência oficial da Presidência da República, o Palácio do Alvorada, ocupado na época dos fatos por Jair Messias Bolsonaro” , diz o primeiro relatório da PF.
Quem foi indiciado pela PF?
Além de Bolsonaro, Cid e Reis, também foram indiciados pela PF: Gabriela Santiago Cid, esposa do ex-ajudante de campo; Marcelo Costa Câmara, Max Guilherme Machado de Moura e Sergio Rocha Cordeiro, assessores do ex-presidente; Luis Marcos dos Reis, sargento do Exército; Ailton Gonçalves Barros, ex-major do Exército; Farley Vinicius Alcântara, médico; João Carlos de Sousa Brecha, então Secretário de Governo de Duque de Caxias; Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva, serva de Duque de Caxias; Camila Paulino Alves Soares, enfermeira da Prefeitura de Duque de Caxias; Célia Serrano da Silva, médica da prefeitura de Duque de Caxias; Eduardo Crespo Alves, militar; Paulo Sérgio da Costa Ferreira; e Marcelo Fernandes Holanda.
Por que Jair Bolsonaro foi indiciado pela PF por falsificar certificados de vacinas?
Segundo a PF, a investigação teve como objetivo esclarecer se os dados do certificado de vacinação de familiares do ex-presidente, como sua filha, Laura Bolsonaro, de 12 anos, haviam sido falsificados. Em maio do ano passado, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa da família e cumpridos seis mandados de prisão contra ex-funcionários, como Cid, o conselheiro Max Guilherme de Moura, os ex-assistentes Sérgio Cordeiro e Luís Marcos dos Reis; o secretário municipal de Governo de Duque de Caxias, João Carlos de Sousa Brecha; e Ailton Gonçalves Barros, militar que concorreu a deputado estadual no Rio pelo PL em 2022.
As falsas inserções nos sistemas SI-PNI e RNDS do Ministério da Saúde resultaram na alteração da veracidade sobre fato juridicamente relevante, a saber, a situação vacinal dos beneficiários contra a Covid-19.
Certificados de vacinas foram usados para contornar restrições sanitárias
As investigações da PF também apontaram que os documentos de imunização do aplicativo ConecteSUS foram emitidos a partir de endereços IP do Palácio do Planalto. Os downloads foram feitos dias antes e na mesma data da viagem de Bolsonaro a Orlando, na Flórida, para onde foi antes mesmo do término do mandato.
Segundo o relatório enviado ao STF, foram quatro transmissões, três delas em dezembro de 2022, nos dias 22, 27 e 30. O ex-presidente partiu para os Estados Unidos no dia 30, horas depois de acessar o sistema.
“O endereço IP: 170.246.252.101 utilizado para acesso ao aplicativo ConecteSUS nas datas de 22 e 27 de dezembro de 2022, pertence à Presidência da República, registrado no Palácio do Planalto”, diz a PF, acrescentando. , é possível concluir que o acesso ao aplicativo ConecteSUS e a consequente emissão do certificado de vacinação contra a Covid-19, nos dias 22 e 27 de dezembro de 2022, pelo usuário do ex-presidente da República JAIR BOLSONARO foram realizados em Palácio do Planalto, localização condizente com a atividade então desenvolvida por JAIR MESSIAS BOLSONARO. Da mesma forma, o acesso ao aplicativo ConecteSUS e a emissão do certificado de vacinação contra a Covid-19 no dia 30 de dezembro de 2022 foram realizados através do celular de MAURO CESAR CID, então chefe da Ordem de Assistência do ex-presidente da República JAIR BOLSONARO”.
Veja também
EX-PRESIDENTE
PF finaliza relatório de inquérito sobre joias de Bolsonaro
eleições municipais
Bolsonaro e Lula têm seus patrocinadores liderando em 7 capitais
emprestimos pessoal em curitiba
quem tem bpc pode fazer empréstimo
bancos inss
antecipar decimo terceiro itau
cartao itau inss
emprestimo pessoal 5 mil
empréstimo consignado melhores taxas