Moradores de Maceió, parcialmente devastada por terremotos decorrentes da mineração, comemoraram nesta terça-feira (30) a decisão de um tribunal holandês que responsabilizou a Braskem pelos danos.
A capital alagoana sofreu uma série de tremores em 2018, que obrigaram dezenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas após o surgimento de rachaduras em ruas e prédios.
Os tremores foram atribuídos à extração de sal-gema pela gigante petroquímica Braskem, cujo maior acionista é a Novonor, antiga Odebrecht, protagonista do grande escândalo de corrupção Lava Jato.
Em 2022, o tribunal de Roterdã acolheu recurso interposto por nove demandantes contra a Braskem, o que abriu caminho para que milhares de pessoas pedissem indenização pelos danos sofridos.
A sede europeia da Braskem fica nesta cidade holandesa. Os juízes do tribunal decidiram na quarta-feira que a empresa era responsável pelos danos causados pelas operações de extração de sal.
Os juízes ordenaram à Braskem “que indemnize os demandantes pelos danos e prejuízos a quantificar”, segundo a sentença proferida à AFP esta terça-feira.
“Esta decisão representa uma conquista inestimável para minha família e para os moradores das áreas direta e indiretamente afetadas”, comemorou José Ricardo Batista, um dos demandantes.
“Espero que a pena seja executada o mais rapidamente possível (…). Tenho graves problemas de saúde e a minha mulher está deprimida, sem perspectivas de futuro”, acrescentou em comunicado.
A decisão foi “um forte lembrete às empresas globais de que (…) não podem colocar em risco as vidas e os meios de subsistência das comunidades locais impunemente”, disse Tom Goodhead, do escritório de advocacia Pogust Goodhead.
A Braskem disse que ofereceu compensação econômica, apoio psicológico aos afetados e ajuda na realocação. A empresa afirma ainda que desembolsou 3,93 bilhões de reais em indenizações e assistência econômica a mais de 18 mil pessoas.
Os advogados da Braskem argumentaram perante o tribunal que o caso movido na Holanda era desnecessário, uma vez que um acordo havia sido alcançado no Brasil.
Os juízes holandeses, no entanto, afirmaram que os demandantes não “obteriam um reconhecimento de responsabilidade da Braskem” nos tribunais brasileiros.
“Este reconhecimento pode ser obtido por um tribunal holandês”, afirmaram.
“A Braskem não quer reconhecer que é responsável (…) apenas reconhece que a Braskem tem a obrigação de ressarcir os danos”, acrescentaram.
“A satisfação resultante do reconhecimento de responsabilidade é assim negada aos demandantes”, concluíram os juízes.
A AFP não conseguiu contatar imediatamente os advogados da Braskem para comentar a decisão.
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