O presidente da Itália, Sergio Mattarella, em palestra no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, disse, nesta quinta-feira (18), que seu país e o Brasil têm valores semelhantes e defendem valores convergentes posições sobre questões globais como o Estado de direito e a democracia.
“Os alicerces do diálogo são os valores que pertencem aos nossos dois povos. O amor à liberdade, o impulso para uma sociedade justa e inclusiva, a proteção oferecida pelo Estado de direito e pela democracia. O Brasil é um dos maiores protagonistas no panorama das democracias mundiais”, afirmou.
“No mundo de hoje, sejamos honestos, a democracia não está de boa saúde. Isto interessa-nos e preocupa-nos, porque está em jogo o bem do homem. que o caracteriza foi o Papa Francisco, o primeiro pontífice da história da América do Sul”, acrescentou.
Em outra etapa de sua visita ao Brasil, o representante italiano afirmou que o Brasil é um parceiro ideal para discutir temas abertos a todos, sem posicionamento ideológico ou geopolítico.
Para Mattarella, em 2024, as duas nações foram incumbidas de responsabilidades especiais. Enquanto o Brasil lidera o G20, a Itália preside o G7.
“São fóruns intergovernamentais que proporcionam uma oportunidade de diálogo sobre questões fundamentais para o nosso planeta, para o desenvolvimento de plataformas que unem.”
Segundo Mattarella, na cúpula do G7 a Itália ampliou o diálogo sobre prioridades, convidando países de todas as regiões do mundo. Em conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esta semana, em Brasília, ele disse ter tido a oportunidade de apreciar as características e prioridades que o Brasil definiu para sua presidência do G20.
“Colocar ênfase na inclusão social, na luta contra a pobreza e a fome, no desenvolvimento sustentável, na transição energética, na necessidade de uma tributação justa nas actividades económicas que geram lucros imensos, na reforma da governação global, é uma prova tangível, se necessário procuraria outros, do alcance global da política externa do Brasil.”
Para Mattarella, o mundo vive um momento que exige diálogo e troca de ideias. “Noto com grande satisfação que existe uma ampla harmonia entre as presidências do G7 e do G20. Um desalinhamento acentuado entre estes dois grupos que são tão importantes para o debate internacional teria sido um erro imperdoável e repleto de consequências.”
“A Itália observa com grande admiração o trabalho iniciado pela presidência brasileira para alcançar o objetivo de lançar a aliança global contra a fome e a pobreza na cúpula do G20 em novembro. A Itália apoia plenamente esta iniciativa e está disposta a colaborar a todos os níveis”, acrescentou.
Segundo o presidente italiano, a crise climática e os conflitos acentuaram o sofrimento de centenas de milhares de pessoas que estão à beira da fome ou não têm acesso a uma alimentação saudável. Muitos foram forçados a fugir dos seus países por razões de sobrevivência.
“Primeiro a pandemia, depois a proliferação de conflitos, especialmente na Ucrânia. Tudo isto levou a um elevado número de pessoas desnutridas, com 120 milhões de pessoas a mais do que tínhamos em 2019. Brasil, Itália, América Latina e Europa podem colaborar a nível multilateral e também podem dar vida a iniciativas trilaterais com países africanos para construir sistemas alimentares mais sustentáveis e produtivos”, observou.
Transição verde
O presidente defendeu uma transição energética concreta, pragmática, sustentável e eficaz. Acrescentou que durante muito tempo a questão ambiental e das alterações climáticas foi abordada de forma inadequada pela comunidade global. “As consequências são sempre terríveis, como vi com muita tristeza ao visitar o Rio Grande do Sul. Se quisermos deixar às gerações futuras um planeta onde as gerações futuras possam viver e prosperar em paz, todos temos que fazer progressos decisivos e conjuntos”.
Migração
O chefe de Estado italiano agradeceu a amizade e cordialidade com que foi recebido no país, incluindo a sua filha e a delegação que o acompanha. Ele acrescentou que sua chegada ocorre 24 anos após a última visita de um presidente italiano ao Brasil.
“Vinte e quatro anos após a visita do Presidente Ciampi [Carlo Azeglio], queria fazer uma viagem que me permitisse vivenciar diferentes aspectos da realidade deste país, passando por Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Porto Alegre. Este último, dramaticamente afetado pelas enchentes das últimas semanas, é um privilégio que me permite apreciar a multifacetada e rica variedade do Brasil. Cada etapa expressa um perfil diferente da profunda identidade deste país de dimensões continentais. Um país gigante por natureza, como diz o hino nacional brasileiro”, comentou.
Mattarella classificou as relações de amizade entre os dois países como um patrimônio comum alimentado pelos mais de 800 mil italianos que aqui vivem e pela maior comunidade de descendentes italianos do mundo, pessoas que desempenharam um papel ativo na construção do Brasil de hoje, no seu desenvolvimento e prosperidade.
“Agradecemos ao parlamento brasileiro por instituir o dia 21 de fevereiro como o Dia do Migrante Italiano. Tudo isso em memória do desembarque em Vitória, em 1874, de uma centena de italianos que partiram de Gênova a bordo do vapor La Sofia. Trouxeram poucos presentes, mas foram movidos pela aspiração de querer participar no desafio de moldar um país. Pessoas dispostas a se integrar e com determinação de alcançar uma vida melhor através do próprio trabalho. Esta terra generosa ofereceu-lhes hospitalidade e oportunidades e por isso tem a gratidão da Itália”, relatou.
Para o chefe de Estado italiano, o aniversário de 2024 dos 150 anos da migração para o Brasil representa um momento significativo na relação entre os dois países e leva à reflexão sobre a indivisibilidade dos destinos humanos. Na sua opinião, este aspecto deve ser valorizado em conjunto com outras nações europeias dado o desafio de acolhimento que o actual fenómeno migratório coloca a estas sociedades.
Discurso denso
Segundo o embaixador e conselheiro emérito do Cebri, Rubens Ricupero, que participou do encontro, o presidente italiano fez um discurso bastante denso no qual examinou a atual situação internacional com grandes ameaças, além de mostrar que há vários pontos em comum com o caminho do Brasil para ver o relacionamento internacional.
“As posições que ele expôs são muito parecidas com as da diplomacia brasileira. Houve uma convergência muito grande”, disse, lembrando que é fruto da imigração italiana destacada por Mattarella na palestra.
Para o embaixador e conselheiro emérito do Cebri, Marcos Azambuja, as convergências entre Brasil e Itália são tão óbvias que basta que ambos os países continuem no caminho que estão trilhando. Azambuja defendeu o que chamou de diplomacia de proximidade com contactos mais pessoais entre líderes mundiais. “O carinho vem da convivência. Temos que nos ver mais. Ele agora levará do Brasil para a Itália imagens que não teria feito se não fosse sua presença física aqui. A diplomacia baseia-se na proximidade. Você tem que encontrar o outro. Tocando-nos e estabelecendo uma relação de fraternidade”.
O embaixador concordou com a referência do presidente italiano à linha definida pela liderança do Brasil no G20. “Ele elogiou porque é uma visão construtiva. O Brasil não quer nada que crie rupturas. O mundo já tem dois conflitos graves na Ucrânia e em Gaza. O Brasil quer fortalecer a paz. O Brasil não é parceiro na guerra. O Brasil não ganha com a guerra. Ganha com o comércio e o investimento no turismo. O Brasil é um país comprometido com a paz”, disse ele Agência Brasildepois da reunião.
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