Os policiais Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Núcleo) da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foram absolvidos pela morte do jovem João Pedro Mattos Pinto. O adolescente, que na época tinha 14 anos, foi ferido dentro de uma casa, na tarde do dia 18 de maio de 2020, durante operação conjunta das Polícias Federal e Civil do Rio de Janeiro na comunidade do Salgueiro, em São Gonçalo , região metropolitana do Rio. .
As investigações indicaram que João Pedro foi ferido nas costas por um fragmento de tiro de fuzil que atingiu um pilar próximo de onde ele estava caído no chão junto com dois amigos que tentavam fugir do confronto. A casa que pertencia ao tio de João Pedro ficou com mais de 70 marcas de tiros.
Na decisão, a juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine absolveu sumariamente os três agentes que haviam se tornado réus por duplo homicídio com motivo torpe até que o Tribunal acatou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), em fevereiro de 2022 Os agentes responderam livremente.
“Considero improcedente o pedido formulado na denúncia para: 1) absolver sumariamente os acusados Fernando e Brito Meister quanto à imputação dos crimes previstos no artigo 121, § 2º, incisos I e IV, do Código Penal, e no artigo 23 da Lei 13.869/2019, nos termos do art. 415, II do CPP; 2) absolver sumariamente os réus Mauro José Gonçalves e Maxwell Gomes Pereira da acusação do crime previsto no artigo 121, § 2º, incisos I e IV, do Código Penal nos termos do art. 415, IV do CPP; 3) absorver sumariamente os réus Mauro José Gonçalves e Maxwell Gomes Pereira quanto à imputação do delito previsto no artigo 23 da Lei 13.869/2019, nos termos do art. 415, II do CPP”, afirmou o desembargador na decisão.
“Assim, dada a exclusão da ilegalidade da legítima defesa, é necessário o reconhecimento da absolvição sumária dos arguidos”, mostrou outro trecho do despacho.
Mesmo com todos os argumentos do MP apresentados no processo, que dependiam da avaliação do juiz sobre se os policiais iriam a júri popular, o juiz entendeu que não houve crime material.
“Após análise das provas constantes do processo, bem como dos depoimentos em juízo, ficou claramente demonstrada a inexistência da materialidade criminosa. Por esta razão e, sem que se possa observar, adicionalmente, qualquer indício de autoria, há também a necessidade de absolver os arguidos do crime ora alegado. Desta forma, não existindo os elementos objetivos e subjetivos do crime que agora é imputado aos arguidos, é necessário o reconhecimento da sentença de absolvição”, indicou.
Mãe
A decisão surpreendeu a família que esperava a ida dos agentes ao júri popular. Rafaela Santos, mãe de João Pedro, contou Agência Brasil, que após esta sentença ainda haveria um longo processo a percorrer até que a data do julgamento pudesse ser marcada. “Não foi o que esperávamos. Essa decisão é um absurdo, mostrando à sociedade que é normal fazer essas operações e entrar na casa de gente boa e sair atirando. A Justiça está mostrando isso para a sociedade. Ele está mostrando isso para minha família, para minha filha que mora aqui. A justiça nos mata duas vezes. É justiça sendo justiça”, disse ele em áudio enviado à reportagem.
Recurso
Rafaela Santos afirmou que irá recorrer da decisão. “Vamos recorrer da decisão. Recursos estavam disponíveis de ambas as partes. Se fosse a favor de nós ou deles, haveria recurso, então a luta continua de forma inesperada, mas continua. Faremos a nossa parte na tentativa de chegar ao júri popular”, completou.
Em postagem no Instagram, a ONG Rio de Paz criticou a decisão. “Pais condenados a viver sem o filho e os assassinos ficam impunes! O caso de João Pedro, de 14 anos, é uma exceção porque houve uma investigação e os culpados foram encontrados, mas é a regra quando se trata de punir os culpados. Isso é justiça no Rio de Janeiro. João Pedro foi morto em operação das Polícias Federal e Civil, em São Gonçalo, há 4 anos. A casa onde eles estavam, junto com outras crianças e adolescentes, foi metralhada! O Ministério Público denunciou os policiais após uma investigação minuciosa que incluiu até reprodução simulada em 3D. Há 17 anos acompanhamos casos de adolescentes mortos por armas de fogo, a maioria por balas perdidas. Hoje são mais de 100. A maioria é pobre, negra e favelada. Um adolescente de 14 anos foi assassinado e ninguém vai pagar por isso????”, questionou.
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