Embora fundamental para o país, a reforma tributária poderá trazer dificuldades ao setor saúde caso o texto da regulamentação permaneça como tramita no Congresso Nacional.
Essa é a avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Tecnologia em Saúde (Abimed), que reúne 180 empresas, entre fabricantes, importadores e distribuidores, responsáveis por cerca de 65% do mercado de equipamentos e dispositivos médicos no Brasil.
“Uma das características mais marcantes do nosso segmento é a sua transversalidade. Estamos ligados a todas as áreas da Saúde e participamos de todas as etapas da vida das pessoas”, descreve o presidente executivo da Abimed, Fernando Silveira Filho. “Devido a essa transversalidade, qualquer elemento que traga aumento da carga tributária ou insegurança jurídica afeta também outros setores da saúde, tanto na esfera pública quanto na privada”.
A entidade se compromete a apresentar e defender suas propostas de ajustes no modelo de tributação estabelecido pelo Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/24.
“Temos encontrado receptividade nas conversas com representantes do Poder Legislativo. Há o entendimento de que estamos falando de um setor essencial à vida das pessoas e com grande potencial de desenvolvimento econômico, fatores que justificam tratamento diferenciado na reforma tributária”, diz Silveira. O setor Saúde responde por 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Essencialidade reconhecida
O executivo da Abimed considera que o setor Saúde teve sua essencialidade reconhecida no texto em tramitação, conforme preconiza a Emenda Constitucional 132/2023. “O que precisa ser feito agora é completar isso, tangibilizar essa essencialidade de forma prática e econômica”, avalia.
Uma das propostas é que a redução de 60% da alíquota seja aplicada automaticamente a todos os dispositivos médicos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e não apenas a uma lista parcial, como prevê o texto atual. “Estamos falando de um universo próximo de 100 mil produtos registrados na Anvisa, com acréscimos frequentes devido às inovações tecnológicas.
Os critérios da lista precisariam ser constantemente atualizados para que não se tornasse um item de decisão precário, indo contra o espírito de simplificação que norteia a reforma tributária”, descreve Silveira. A ideia da lista, acrescenta, precisa ser substituída por outro, mais rápido.
Esse ajuste aproximaria o Brasil de uma prática corrente nas principais economias do planeta. Em pelo menos 20 dos 34 países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), um grupo de países com as economias mais desenvolvidas, as taxas de impostos são diferenciadas ou zeradas para permitir um maior acesso aos cuidados e às tecnologias de ponta.
Há também a preocupação de evitar a insegurança jurídica, que poderia levar à redução dos investimentos no setor da Saúde. Um dos pontos vulneráveis nesse sentido é o risco de dupla incidência tributária em operações que envolvam mais de uma etapa – o envio de equipamentos em empréstimo e sua compra definitiva, por exemplo.
Outra é que a lei permite que Estados e municípios definam seus tributos para a composição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (IBS), e ainda não há uma referência clara às alíquotas que serão aplicadas. A entidade solicita ainda a definição de mecanismos automáticos para evitar a acumulação do IBS com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), e que os créditos gerados sejam compensados rapidamente, no prazo máximo de 60 dias.
Caminhos de crescimento
“Um possível aumento da carga tributária representaria uma pressão adicional sobre a sustentabilidade do setor Saúde, que já enfrentava uma série de dificuldades”, alerta Giovanni Cerri, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), presidente do InovaHC (centro de inovação do Hospital das Clínicas) e do Instituto Coalizão Saúde (Icos), organização com propósito que reúne toda a cadeia do setor. Essas dificuldades incluem o desequilíbrio decorrente da pandemia da Covid-19, o envelhecimento da população, os custos da indevidamente chamada “inflação médica” – sempre acima da inflação normal – e a judicialização dos planos de saúde, entre muitos outros.
Cerri reforça que o almejado crescimento da Saúde no país, necessário para que mais pessoas tenham acesso a tratamentos, cuidados e tecnologias, envolve esforços de todo o setor para maior eficiência, mas também, necessariamente, pela redução de custos e aumento da segurança jurídica.
“E não estamos falando de um assunto que é mais importante para a saúde pública ou privada, pois tudo está interligado. Se os custos dos planos aumentarem por conta da carga tributária, muitas pessoas terão dificuldade de acesso aos planos de saúde, o que colocará ainda mais pressão sobre o Sistema Único de Saúde”, projeta. “É por isso que a reforma tributária não pode, de forma alguma, impactar negativamente um setor tão essencial.”
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