Num momento em que até o lançamento de uma licitação de obras públicas é motivo de acontecimento político, a maior fábrica de linha única de celulose do mundo entrará em operação em Ribas do Rio Pardo sem qualquer tipo de cerimônia ou comemoração. Ou seja, a “inauguração” do projeto que recebeu R$ 22,2 bilhões em investimentos não pode ser usada como plataforma por nenhum político.
“A entrada em operação da fábrica, como é chamada a entrada em operação industrial, será um procedimento técnico-operacional interno, não havendo nenhum evento externo relacionado”, respondeu o assessor da Suzano ao ser questionado sobre o dia exato da ativação ou sobre a possibilidade de uma festa de abertura.
Para efeito de comparação, em dezembro de 2012, quando foi inaugurada a fábrica da Eldorado Brasil Celulose em Três Lagoas, houve uma “festa” com a presença do presidente em exercício, Michel Temer, e show do tenor italiano Andrea Bocelli para cerca de 800 pessoas. convidados.
“As obras da nova fábrica de celulose da Suzano em Ribas do Rio Pardo estão em fase final, com conclusão dentro do prazo e orçamento previstos, e o projeto está em comissionamento. Este é o maior investimento dos 100 anos de história da Suzano e um dos maiores investimentos privados no Brasil durante sua execução, entre 2021 e 2024.”
Ainda segundo a assessoria, “a unidade entrará em operação até o final de junho de 2024, conforme previsto. A capacidade instalada permitirá a produção de 2,55 milhões de toneladas de celulose de eucalipto por ano.” Inicialmente, a previsão era que o projeto ficasse pronto apenas no final de 2024, mas foi antecipado em um semestre.
No auge da construção, há um ano, dez mil pessoas vieram trabalhar na instalação da fábrica. A partir de agora, porém, o projeto deverá garantir trabalho permanente para cerca de três mil pessoas. Alguns deles morarão em um conjunto habitacional com mais de 900 casas que a empresa construiu em Ribas do Rio Pardo.
Imagens aéreas divulgadas rotineiramente pela empresa mostram que centenas de carregamentos de eucalipto, vindos do bairro Palmeira, em Dois Irmãos do Buriti, já estão armazenados na fábrica para garantir o início da produção.
Porém, para garantir matéria-prima para a fábrica, a empresa, que já possui unidade em Três Lagoas, possui cerca de 600 mil hectares de florestas plantadas no Estado. Só no viveiro de Ribas do Rio Pardo são produzidas cerca de 35 milhões de mudas por ano.
E para abastecer essa megaestrutura, a Suzano utilizará os chamados hexatrains, que são reboques com seis semirreboques. Eles circularão apenas em estradas secundárias, pois a velocidade é muito baixa para trafegar em estradas pavimentadas.
Pelo menos 16 hexatrens já estão em operação, o que auxilia na retirada de pelo menos 50 caminhões das rodovias estaduais, uma vez que esses veículos circulam apenas nas áreas próprias da empresa.
EXPORTAR
Praticamente toda a produção será destinada à exportação. Ao operar em capacidade máxima, cerca de 140 caminhões sairão diariamente da indústria, cada um transportando cerca de 50 toneladas de celulose.
Eles seguirão pela BR-262 até Água Clara e depois pela MS-377 até Inocência, onde está sendo concluído um terminal intermodal às margens da Ferronorte para escoamento desse material rumo ao Porto de Santos.
“O novo terminal está em fase final de implantação, com as obras civis já concluídas, e estará pronto para receber a produção assim que a fábrica entrar em operação”, informou a assessoria de imprensa da Suzano.
Às margens da MS-240, o terminal terá área construída de 24,2 mil metros quadrados, dos quais 21,5 mil metros quadrados correspondem à área de armazém. O projeto também inclui 8,8 mil quilômetros de linha férrea interna e externa, que incluem ramais para vagões reservados.
PREÇO NAS ALTURAS
Num ano marcado por queda significativa no preço dos grãos e da carne bovina, a celulose tomou o caminho inverso e em 2024 seus preços são 35% superiores aos dos primeiros quatro meses de 2023, passando de uma média de 343,7 dólares por tonelada para 464 .
Nos primeiros quatro meses de 2024, segundo números da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), as duas indústrias locais, Suzano e Eldorado, ambas de Três Lagoas, exportaram 1,36 milhão de toneladas, o que significa uma redução de 5 % em relação ao mesmo período do ano passado.
Mesmo assim, a receita foi 27% superior, atingindo 631,5 milhões de dólares em quatro meses. Metade disso, US$ 315,3 milhões, vem das vendas feitas para a China, que também é o principal destino das carnes e grãos exportados por Mato Grosso do Sul.
ALTERANDO O COMANDO
A silenciosa inauguração do empreendimento bilionário acontece em meio à troca de comando da Suzano. Em fevereiro, a empresa anunciou que João Alberto Fernandez de Abreu, CEO da operadora logística Rumo, renunciou ao cargo para assumir o cargo de novo CEO da Suzano. Ele substituirá o empresário Walter Schalka, que lidera o grupo desde 2013.
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Suzano informou que a partir de 2 de abril Schalka e Abreu conduzirão conjuntamente o processo de sucessão – até julho, quando a troca será efetivada.
Ainda segundo a empresa, Schalka será indicado para compor a chapa na próxima eleição do conselho de administração e deverá então integrar comitês como sustentabilidade e gestão e finanças.
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