É possível até ver mulheres negras em grandes empresas do país, mas quase sempre elas estarão em posições menos privilegiadas, como estagiárias ou trainees. É o que mostram os dados da pesquisa “Perfil Social, Racial e de Gênero das 1.100 Maiores Empresas do Brasil e suas Ações Afirmativas 2023-2024”, divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Ethos.
Apesar dos progressos registados nos últimos anos, este grupo ainda é o mais marginalizado no mercado de trabalho empresarial. Enquanto o número de estagiárias negras chega a 53,7%, superando o de homens brancos (9%), os cargos de topo da hierarquia, como os cargos executivos, onde normalmente se encontram os CEOs, contam com apenas 3,4% de mulheres negras.
O mesmo se observa nos conselhos de administração, responsáveis pela tomada de decisões estratégicas nas empresas, onde há apenas 1,8% de mulheres negras, contra 77% de homens brancos. No quadro funcional, que inclui profissionais em cargos que não são de liderança, como analistas, especialistas, auxiliares, assistentes, os números são equilibrados. Já entre os estagiários, as mulheres negras representam 26,5% e superam o número de homens brancos (23%).
Para Ana Lúcia Melo, vice-diretora do Instituto Ethos, isso se deve a um movimento que chamam de “funilamento hierárquico”, ou seja, embora existam políticas que garantam maior inclusão dessas pessoas, não existem medidas que lhes permitam ascender . na estrutura das empresas. E a interseccionalidade entre gênero e raça interfere nessa situação, fazendo com que as mulheres negras sejam mais afetadas.
— Há um caminho que as empresas procuram para aumentar a diversidade dos seus quadros e investir nestes cargos de entrada para promover a inclusão. Então existem programas de estágio e trainee com esse caráter mais afirmativo, principalmente programas de trainee, que dão mais oportunidades para esses profissionais se desenvolverem dentro da empresa. O desafio é garantir que os esforços de inclusão não se restrinjam ao movimento de entrada, permitindo políticas que garantam o avanço desses profissionais — explica Ana Lúcia.
Medidas para garantir a representação
A pesquisa mostra ainda que as empresas estão mais preocupadas em promover políticas de inclusão de gênero do que com a inclusão racial em cargos de decisão, pois 51,6% delas possuem ações e metas para garantir a representação da mulher em cargos de gestão (executivo/conselho), enquanto 21,1% possuem medidas desse tipo para pessoas negras, e apenas 7,4% pensam especificamente nas mulheres negras.
— A inclusão das mulheres no mercado de trabalho já ocorre há muito tempo. E a demanda por maior participação e avanço das mulheres ganhou mais espaço. Quando verificamos a priorização das empresas, de forma geral, a questão de gênero aparece com maior destaque. Mas a questão da interseccionalidade não aparece aí. Estamos falando de uma classificação de mulheres que não são negras, com deficiência e que não são necessariamente LGBT+.
Isso se reflete nos dados que indicam que a participação das mulheres em cargos de decisão cresceu mais que a dos negros, em comparação com a pesquisa realizada pelo Ethos em 2015. Na evolução dentro dos conselhos de administração, por exemplo, o o número de mulheres passou de 11% em 2015 para 18,6% em 2023 (7,6 pp), enquanto o de negros passou de 4,9% para 5,9% (1 pp).
— Temos alguns marcos, no Brasil tivemos, por volta de 2014 e 2015, a institucionalização do movimento Mulher 360. E nesse momento vimos essa discussão de gênero começando a ganhar um pouco mais de força. Em grande parte pelo papel que algumas agências multilaterais, órgãos como a própria ONU Mulheres, que de alguma forma fazem estudos que estão relacionados com a perda para a economia, perda para o desenvolvimento daquilo que a ausência da mulher no mercado de trabalho traz de mais visível — diz o vice-diretor do Instituto.
Quanto aos negros, ela explica que as ações de inclusão são mais recentes, ganhando força principalmente em 2020, quando o movimento “Black Lives Matter” saiu dos Estados Unidos e chegou ao Brasil trazendo agendas voltadas para questões raciais.
— A questão racial é um dos principais desafios que enfrentamos no Brasil em relação à agenda de diversidade, igualdade e inclusão. O Brasil tem uma população majoritariamente negra, de pretos e pardos. Esta realidade não se reflete nas maiores empresas que o Perfil diagnostica. E precisamos de ações intencionais para que isso possa realmente mudar — finaliza Ana Lúcia.
A pesquisa contou com respostas de 131 empresas da lista das 1.100 maiores empresas e instituições financeiras do país, publicada pelo Valor Econômico. Foram observadas empresas com faturamento superior a 300 milhões, sendo que mais de 80% delas possuem faturamento acima de um bilhão, e cerca de 77% com mais de 3 mil funcionários.
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