O dólar à vista encerrou o pregão desta quarta-feira, 31, em alta firme, acima da linha dos R$ 5,65, contra a onda de enfraquecimento da moeda americana no exterior.
O real sofreu com fatores técnicos, com a disputa pela formação da última taxa ptax de julho, até o início da tarde, e a rolagem de posições no segmento futuro no final do mês.
A moeda brasileira também teria sido um alvo preferencial para o desmantelamento das operações de carry trade desencadeadas por uma nova subida do iene, na sequência da decisão do Banco do Japão (BoJ) de aumentar as taxas de juro.
No meio da tarde, o dólar desacelerou consideravelmente sua alta e operou na casa dos R$ 5,63, em meio ao aprofundamento das perdas da moeda americana no exterior, após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, abrir as portas para um corte na a taxa básica dos EUA em setembro.
Logo depois, porém, voltou a ficar acima de R$ 5,65 com o aumento da tensão geopolítica, diante da informação de que o Irã se prepara para atacar Israel, em retaliação ao assassinato do líder político do grupo terrorista Hamas na capital iraniana.
Com mínima de R$ 5,6084 e máxima de R$ 5,6835, o dólar encerrou a sessão em alta de 0,68%, cotado a R$ 5,6553, o que levou a valorização acumulada em julho para 1,20%.
No ano, a moeda americana valorizou 16,52% no mercado interno.
O real teve o segundo pior desempenho do dia, atrás apenas do novo shekel, moeda de Israel.
Apenas duas outras moedas emergentes também se desvalorizaram hoje, a lira turca e o sol peruano, mas com perdas muito menores.
O economista-chefe do Grupo Integral, Daniel Miraglia, vê a desvalorização do real hoje muito ligada à zeragem das operações de carry trade desencadeada pelo fortalecimento do iene.
Geralmente, os investidores tomam empréstimos em moedas de países com taxas de juros baixas, como o Japão, para investir em moedas de países com taxas de juros altas, como o real.
Com a valorização do iene, ocorre uma reversão dessas operações, provocando uma desvalorização da moeda brasileira.
“Esse movimento atual é algo temporário, mais pontual e ligado ao mercado. Não é algo estrutural como o que foi causado pela questão fiscal. Essa pressão sobre o câmbio deve diminuir naturalmente”, diz Miraglia, para quem o Banco Central poderia intervir. o mercado de câmbio para mitigar a volatilidade cambial causada por fatores não estruturais e, assim, reduzir os impactos na economia.
“Se essa pressão sobre a moeda continuar por causa do iene, acredito que aumenta a probabilidade de intervenção do Banco Central.”
No exterior, a Reserva Federal, como esperado, manteve a taxa básica no intervalo entre 5,25% e 5,50%.
A declaração teve tom um pouco mais suave, mas sem impacto relevante nos preços dos ativos.
A Fed apontou progressos no processo de desinflação e reconheceu que há maior equilíbrio no mercado de trabalho, mas repetiu que não seria apropriado reduzir as taxas de juro até adquirir “maior confiança” de que a inflação está a avançar em direção à meta de forma sustentada. maneiras.
Numa conferência de imprensa, Powell mostrou-se mais inclinado a iniciar em breve um processo de flexibilização monetária. Embora tenha condicionado qualquer mudança na taxa básica a indicadores econômicos, o presidente do BC disse que “um corte na taxa pode estar em discussão na reunião de setembro”.
E acrescentou que há uma “sensação generalizada” entre os responsáveis da Fed de que estão a aproximar-se de uma redução da taxa básica. Foi a senha para as altas do mercado de ações em Nova York e para maiores perdas de dólares no exterior.
O economista André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online, afirma que Powell adotou um tom bem mais brando do que a declaração, que “não trouxe absolutamente nada de novo”.
Ele destaca a afirmação do presidente do BC de que talvez a inflação não seja mais 100% o foco dos diretores do Fed.
“Nos últimos meses, a economia americana tem dado sinais de desaceleração, com acomodação no mercado de trabalho. O caminho para o corte dos juros parece aberto, a menos que haja uma surpresa significativa”, afirma Galhardo, destacando as incertezas causadas pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente.
Uma ferramenta da plataforma CME Grupo mostrou que, após as declarações de Powell, aumentaram as chances de uma redução total de 75 pontos base na taxa dos EUA em 2024, com 100% de possibilidade de um corte inicial na reunião de política monetária do Fed, em setembro.
Aqui, a expectativa é que o Copom anuncie a manutenção da taxa básica em 10,50% ao ano, mas adote um tom mais duro no comunicado, devido à recente deterioração das expectativas de inflação.
Galhardo não vê espaço para valorização do real mesmo que se confirme o corte dos juros esperado nos EUA nos próximos meses.
Ele afirma que a formação da taxa de câmbio ainda está muito ligada a questões internas, como dúvidas sobre o cumprimento da meta fiscal e receios relacionados à gestão da política monetária com a troca do presidente do Banco Central, após a saída de Roberto Campos Neto.
“Os riscos fiscais para 2025 começarão a entrar no radar e a inflação ficará próxima do teto da meta no último trimestre do ano. Isso tende a manter o real desvalorizado. Trabalhamos com um corredor entre R$ 5,55 e R$ 5,65 , embora a moeda tenha rompido esse teto por questões transitórias como a valorização do iene”, afirma
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