O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá espaço extra de R$ 138,3 bilhões para despesas do Poder Executivo no Orçamento de 2025, mostra cálculo do Tesouro com base nas regras do novo marco fiscal.
É nesse espaço que o governo precisará acomodar a ampliação dos benefícios obrigatórios, bem como a demanda por gastos discricionários, como financiamentos e investimentos, além das emendas parlamentares e dos pisos da Saúde e da Educação.
Só o aumento projetado do salário mínimo deverá custar R$ 35,3 bilhões. A correção dos benefícios acima do piso poderá acrescentar mais R$ 19,5 bilhões.
Os cálculos consideram parâmetros projetados pelo próprio governo, como salário mínimo de R$ 1.502 no próximo ano e INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de 3,65%. Cada aumento de R$ 10 no piso nacional impacta R$ 3,92 bilhões nas despesas. A variação de 1 ponto percentual no INPC aumenta os gastos em R$ 5,34 bilhões.
As estimativas não consideram o aumento da base de beneficiários dessas políticas, fator relevante especialmente neste momento de redução das filas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Em maio, o governo atingiu a marca de 40 milhões de benefícios emitidos na Previdência Social e no BPC (Benefício de Prestação Continuada), pagos a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência. Trata-se de um crescimento de 5,5% em relação ao estoque de maio de 2023.
O economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos, calcula que, do espaço extra de R$ 138,3 bilhões, cerca de R$ 127 bilhões (quase 92%) serão ocupados pelo avanço dos gastos obrigatórios, incluindo benefícios sociais, pisos de saúde e Educação e alterações parlamentares.
Os outros R$ 11 bilhões poderiam ser usados pelo governo Lula para irrigar gastos discricionários, como investimentos. “Isso não significa que não haverá pressão e que não haverá necessidade de bloqueio. Provavelmente sim, porque as projeções do governo para a Segurança Social me parecem subestimadas. este ano”, avalia Sbardelotto.
Os números dão uma dimensão do desafio da equipa económica para fechar o Orçamento de 2025. O ministro Fernando Haddad (Finanças) já anunciou que será necessário cortar R$ 25,9 bilhões em benefícios previdenciários e assistenciais para poder acomodar os gastos nos limites do quadro do Supervisor.
A poupança será obtida combinando benefícios como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e BPC.
A ministra Simone Tebet (Planejamento) prometeu detalhar as medidas em entrevista coletiva nos próximos dias. A peça orçamentária de 2025 precisa ser enviada ao Congresso até 31 de agosto deste ano.
O marco fiscal proposto por Haddad e aprovado pelo Congresso Nacional prevê a correção do limite de gastos pela inflação mais um percentual real, que fica entre 0,6% e 2,5% ao ano. A definição da variação real depende da dinâmica da receita nos 12 meses até junho do ano anterior.
Na sexta-feira (26), o Tesouro Nacional divulgou os resultados das contas públicas do primeiro semestre de 2024, que permitem calcular quanto será a expansão do espaço fiscal no próximo ano. O projeto foi apresentado pelo subsecretário de Planejamento Estratégico de Política Fiscal do Tesouro Nacional, David Athayde.
A variação do chamado RLA (lucro líquido ajustado), que desconta itens voláteis como royalties e dividendos, cresceu 5,78% nos 12 meses até junho de 2024, em comparação com o mesmo período de 2023.
Pela regra-quadro, o aumento real do limite de despesas será de 70% da expansão do RLA. Como isso resultaria numa variação de 4,05%, o resultado final é a garantia da correção real pelo máximo permitido (2,5%).
Hoje, o limite global para despesas sujeitas ao marco fiscal é de R$ 2,105 trilhões. Com a aplicação do mecanismo, esse teto subirá para R$ 2,249 trilhões.
O aumento é de R$ 143,9 bilhões, dos quais R$ 54,9 bilhões correspondem à expansão em termos reais. Contudo, parte desse espaço é destinada ao Judiciário, ao Legislativo, ao Ministério Público e à Defensoria Pública, que possuem limites próprios.
Teto de gastos do Executivo passará de R$ 2,024 trilhões para R$ 2,162 trilhões – daí a diferença de R$ 138,3 bilhões
Desde que o quadro fiscal foi concebido, os economistas alertaram que a concepção da regra tornava mais provável que o limite aumentasse até ao nível máximo na maioria dos anos. Por outro lado, algumas despesas dentro do novo teto avançam em ritmo mais acelerado, como a Previdência Social e o BPC.
As duas políticas são influenciadas pela política de aumento do salário mínimo, que prevê a correção do salário mínimo pela inflação mais o PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. No próximo ano, o ganho real será de 2,9%, o tamanho do crescimento do PIB em 2023.
No primeiro semestre deste ano, a Previdência Social e o BPC juntos registraram um aumento de R$ 48 bilhões, já descontado o efeito da inflação. Em termos percentuais, isto representa um aumento real de 8,7% nos benefícios previdenciários e de 17,3% no BPC.
*Informações da Folhapress
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