O governo sugeriu ao Congresso uma espécie de “gatilho” para que o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) só seja possível caso a arrecadação com as medidas propostas pelo Senado para compensar a desoneração da folha de pagamento se mostre insuficiente, em acordo com pessoas familiarizadas com as discussões ouvidas pelo Estadão/Transmissão.
A sugestão foi feita pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na reunião desta quarta-feira, 10, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Diante da insistência de Pacheco de que as quatro propostas apresentadas pelo Congresso seriam suficientes para cobrir a renúncia fiscal da isenção, Haddad propôs a seguinte solução: a Receita Federal calcularia, após dois meses, quanto foi arrecadado com as quatro medidas já anunciadas pelo O senado . Caso o valor indicasse que não seria possível atingir um total suficiente para compensar a isenção, o governo aplicaria então o aumento da CSLL, imposto cobrado sobre o lucro das empresas.
O alívio da folha de pagamento foi introduzido em 2011 para setores de mão-de-obra intensiva. Juntos, incluem milhares de empresas que empregam 9 milhões de pessoas. A medida substitui a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de pagamento por alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta. Na prática, resulta numa redução da carga fiscal sobre as contribuições para a segurança social devidas pelas empresas.
Por decisão do Congresso, em votações significativas, a política de isenção tributária foi prorrogada até 2027, mas acabou suspensa por liminar do STF em ação movida pelo governo federal. A alegação é que o Congresso não previu fonte de receita para financiar o programa e não estimou o impacto do benefício nas contas públicas. O Legislativo, porém, argumenta que foram aprovadas medidas para aumentar a arrecadação da União e que o impacto estimado foi descrito na proposta aprovada. O ministro das Finanças anunciou então um acordo para manter a isenção em 2024 e negociar uma cobrança gradual a partir do próximo ano.
A equação agora proposta por Haddad envolvendo a CSLL apresenta alguns impasses, além do aumento do próprio imposto. Uma delas é que, nesse desenho, contados os dois meses utilizados para o cálculo do resultado da arrecadação e os noventa meses para a entrada em vigor da nova alíquota, o ano de 2024 teria terminado ou estaria próximo dele.
Pensando nisso, uma alternativa citada nas discussões no Palácio do Planalto seria buscar um entendimento com o Supremo Tribunal Federal para que a compensação da isenção como um todo (de 2024 a 2027) pudesse ser considerada como uma só. Ou seja, não seria necessário neutralizar a renúncia fiscal de 2024 com novas receitas necessariamente neste ano, mas também nos próximos três anos. Um valor que vem sendo citado em algumas discussões para todo o período é de R$ 50 bilhões em renúncias.
Essa proposta enfrenta resistência do Ministério da Fazenda, por exemplo, que acredita que esse entendimento prejudicaria o resultado primário – afinal, não haveria “amortecedor” para o “buraco” de cerca de R$ 17 bilhões a R$ 18 bilhões que ficará com isenção em 2024.
O desenho completo dessa equação não foi definido, mas, segundo pessoas envolvidas no processo, ela deve estabelecer que o governo poderá aumentar a alíquota da CSLL caso a meta de arrecadação não seja atingida após um período necessário para que a Receita Federal calcule a alíquota. dinheiro que entra no caixa. A reportagem apurou que o Palácio do Planalto ainda avalia como essa operação poderia ser autorizada, seja por medida provisória, no próprio texto do projeto ou por decreto, por exemplo.
A sugestão de Haddad de realizar essa avaliação foi vista como uma forma de contrariar o argumento do presidente do Senado de que as medidas que ele propôs seriam suficientes para compensar a isenção. A lógica do argumento é: se há tanta confiança por parte de Pacheco de que a repatriação, a tributação das importações abaixo de até US$ 50, as recargas de multas das agências reguladoras e a atualização do patrimônio no Imposto de Renda darão o dinheiro necessário para equalizar a renúncia com a isenção, não haveria necessidade de se preocupar com o “gatilho” incluído no projeto de lei que permitiria o aumento da CSLL. No final das contas, se os cálculos de Pacheco estiverem corretos, o “gatilho” não seria acionado e não haveria aumento do imposto.
Pessoas ouvidas por Estadão/Transmissão Dizem que, no encontro com Lula, Haddad e Wagner, Pacheco acolheu bem a ideia. Seus interlocutores, porém, negam que ele tenha aceitado a proposta e que tenha havido avanços significativos nas negociações. Em público, o presidente do Senado tem mantido o mesmo discurso contra o aumento de impostos sobre o setor produtivo. A mesma posição, porém, não veio com a tributação de compras até US$ 50, que também constitui um novo imposto e foi criado com aprovação da Câmara e do Senado.
Diante desse impasse e da necessidade de solução até a próxima semana, governantes já veem como natural e necessária uma nova prorrogação do prazo dado pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, para que seja encontrada indenização pela isenção . O Estadão/Broadcast apurou, porém, que o governo só deverá apoiar se até lá já houver um acordo firmado com o Congresso.
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