A ANBCB (Associação Nacional dos Analistas de Bancos Centrais) saiu em defesa da autonomia financeira do BC após a publicação de artigo assinado por 4 diretores do Banco Central no Poder360 a favor da aprovação da PEC 65 de 2023, que trata do tema. A presidente da associação, Natacha Gadelha Rocha, avalia que a proposta que tramita no Senado é benéfica ao Estado brasileiro.
“Foram 4 diretores assinando esse artigo, inclusive diretores que estão no Banco Central há mais de 10 anos, diretor indicado pelo governo atual, pelo governo anterior. Então, isso demonstra que essa é uma agenda de Estado, uma agenda estruturante. O principal objetivo desta matéria, desta proposta, é realmente beneficiar a população, o país preservando o poder de compra, a estabilidade do sistema financeiro e as inovações via projetos”, declara a este jornal digital.
Natacha afirma que a aprovação da PEC “é fundamental” para os servidores públicos e para a autoridade monetária.
“O PEC é fundamental para nós como funcionários de uma casa que precisa voltar a funcionar, que tem recursos para realizar projetos inovadores. Supervisionar os bancos, poder participar em missões internacionais, para que os quadros se possam reciclar e para que possamos ter uma atuação verdadeiramente permanente”, diz.
Na visão do presidente da ANBCB, o texto representa uma “avanço institucional” para BC e Brasil.
“É um avanço para o país, para a população em termos dos benefícios que esta autonomia trará. Com essa autonomia, o Banco Central consegue entregar mais valor à sociedade, preservar ainda mais o valor do dinheiro dos cidadãos e continuar acompanhando o mercado financeiro com suas inovações e respondendo rapidamente às crises”ele declara.
OUTROS SINDICATOS DISCORDAM
Outros sindicatos e entidades representativas dos funcionários do BC se manifestaram contra a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 de 2023. Segundo o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, a autoridade monetária é responsabilidade do governo e um presidente ligado a uma gestão anterior prejudica o chefe do Executivo.
O Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) defende que a autonomia “não é problema”, desde que garantida por lei complementar, e não por emenda constitucional.
“A PEC trata da independência do banco como empresa pública. Isso é ruim do ponto de vista jurídico e administrativo”, disse o presidente do Sinal, Fábio Faiad, ao Poder360.
Se a emenda for aprovada, a Constituição incluirá um trecho que diz: “o Banco Central é uma instituição de natureza especial […] sob a forma de empresa pública e dotada de poderes de polícia, incluindo poderes de regulação, fiscalização e resolução, nos termos da lei”.
O Sindicato Nacional dos Bancários Centrais já afirmou que o texto da PEC pode facilitar a manipulação de dados, a interferência no mercado financeiro e colocar em risco a integridade da autoridade monetária.
AUTONOMIA FINANCEIRA
O artigo publicado por Poder360 foi assinado pelos diretores do BC Ailton Aquino (Fiscalização), Diogo Guillen (Política Econômica), Otávio Damaso (Regulação) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e Resolução). Afirmam que a PEC alinhará o BC às melhores práticas internacionais.
Além dos 4 diretores, o presidente do BC já defendeu diversas vezes a ampliação da autonomia da autoridade monetária do Poder Executivo.
O Banco Central obteve autonomia operacional em fevereiro de 2021, que estabeleceu um regime de mandato de 4 anos para os 9 membros do Copom (Comitê de Política Monetária). A medida permite a decisão sobre o nível da taxa de juros com maior independência do Executivo.
Os defensores da PEC 65 defendem que também é necessário dar independência financeira e orçamentária à autoridade monetária. Uma pesquisa do FMI (Fundo Monetário Internacional) mostrou que, dos 87 bancos centrais, 64 consideram que ter orçamento próprio é a principal métrica para medir a autonomia.
Além disso, 90% dos bancos centrais com autonomia operacional também têm autonomia orçamental e financeira.
Segundo artigo assinado pelos 4 diretores do BC, a proposta garante recursos adequados para manter a excelência de suas entregas à sociedade e a expansão do “sua bem-sucedida agenda de inovação do sistema financeiro”.
Argumentaram que, se aprovada, a PEC 65 alinhará o BC brasileiro às melhores práticas internacionais.
“O fortalecimento institucional do BC, pilar de credibilidade, ajudará a garantir que o poder de compra da moeda seja preservado por meio de uma política monetária orientada pelos mais exigentes critérios técnicos, minimizando assim os custos para a atividade econômica”disse o artigo.
Os diretores afirmaram que o BC implementou um “revolucionário”agenda de inovação, com enormes benefícios para a sociedade. Citaram o Pix, que, segundo eles, promoveu a inclusão bancária de mais de 70 milhões de brasileiros.
O artigo também argumentou que a PEC não modifica as competências do CMN (Conselho Monetário Nacional) na definição da meta de inflação e das diretrizes das políticas monetária, creditícia e cambial.
“Esta autonomia faz parte de uma longa agenda de melhoria da instituição, perseguindo razões de Estado que superem as ideologias e tragam benefícios inequívocos ao país. Portanto, é fundamental que demos este importante passo rumo à autonomia orçamentária e financeira do BC, para que a instituição possa ampliar ainda mais sua capacidade de atender bem o Brasil”dizem os diretores.
Segundo economistas consultados pela Poder360a autonomia financeira do BC é importante para garantir recursos à autoridade monetária.
PEC 65 DE 2023
A proposta que tramita no Senado estabelece que o Banco Central é uma instituição de natureza especial, com autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira e que seria classificado como “empresa pública que exerce atividades estatais”.
O orçamento anual de financiamento e investimento da autoridade monetária seria aprovado pela comissão temática competente do Senado Federal, neste caso, a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos).
Se aprovada, a autonomia financeira permitiria ao Banco Central utilizar receitas próprias provenientes do seu patrimônio para cobrir despesas de pessoal, despesas gerais e outros investimentos. A autonomia orçamentária permitiria ao BC preparar, aprovar e executar o seu próprio Orçamento de forma separada e independente do governo.
Funcionários e diretores afirmam que a instituição tem restrições orçamentárias e que a PEC ajudaria a melhorar o quadro de funcionários. Campos Neto já disse que o envelhecimento dos profissionais faz com que um sênior tenha que fazer o trabalho de um júnior por falta de pessoal.
O Banco Central não realiza novos concursos desde 2013. O Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos autorizou um exame, que deverá ser realizado em agosto deste ano. A expectativa é que sejam 100 vagas, sendo 50 para atividades de tecnologia da informação e 50 para atividades relacionadas a outras áreas do Banco Central.
ATRASOS NAS ENTREGAS
A falta de recursos atrasou 65% dos projetos de inovação e regulação do Banco Central em 2023. Das 82 ações estratégicas que estavam sendo implementadas em 2023, 53 foram prorrogadas por falta de pessoal ou de recursos orçamentários.
Relatório interno do BC obtido por Poder360 mostrou que as inovações foram adiadas. Entre eles estão o Drex – moeda digital do Brasil –, as novas funcionalidades do Pix, a regulamentação da lei das cooperativas de crédito e a regulamentação da nova lei cambial.
O orçamento de gastos discricionários do Banco Central caiu 53% de 2015 a 2024. Passou de R$ 586,8 milhões para R$ 275,7 milhões no período.
O orçamento do projeto caiu 91,1% de 2015 a 2024, passando de R$ 135,7 milhões para R$ 12,1 milhões.
Campos Neto disse em abril de 2024 que a dependência financeira do Poder Executivo atrasa inovações, como melhorias no Pix e avanços no Drex, a moeda virtual do real.
O Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) disse que um dos motivos do atraso dos projetos foi a operação padrão que os funcionários públicos realizaram durante quase 10 meses, no âmbito da campanha por aumentos salariais.
A entidade defende que há soluções para o orçamento do Banco Central no modelo de autarquia.
“Não faz sentido mudar todo o regime jurídico do BC por causa disso. Na verdade, o que Roberto Campos Neto e alguns altos comissários do BC querem, com a PEC 65, é implementar salários anuais milionários para diretores, acima do atual teto constitucional”, disse Fábio Faiad, presidente do Sinal.
Um estudo publicado no VoxEU mostrou que o Brasil ocupa o 94º lugar no ranking de 155 países em termos de autonomia financeira. O Banco Central está ao lado da Autoridade Monetária de Bangladesh. O indicador brasileiro, de 0,694 pontos, está abaixo da média mundial (0,764 pontos).
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