Policiais militares e indígenas Guarani e Kaiowá entraram em confronto na zona rural da cidade de Antônio João (MS), a cerca de 300 quilômetros da capital mato-grossense, Campo Grande, na tarde desta quinta-feira (12). Pelo menos três indígenas, dois homens e uma mulher, foram atendidos no Hospital Municipal Dr. José Altair de Oliveira, que oferece atendimento de média complexidade. O Agência Brasil entrou em contato com a direção da unidade, mas não obteve informações atualizadas sobre o estado de saúde das vítimas.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o confronto ocorreu depois que um grupo de indígenas ocupou parte de uma fazenda que se sobrepõe a uma área que os Guarani-Kaiowá reivindicam como território tradicional, ou seja, que pertencia aos seus antepassados.
A área, conhecida como Ñande Ru Marangatu (ou Nhanderu Marangatu), foi aprovada como terra indígena em março de 2005, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No total, a área destinada ao usufruto Guarani-kaiowá mede cerca de 9,3 mil hectares, dos quais cerca de 1,3 mil são ocupados pela Fazenda Barra. Cada hectare corresponde aproximadamente à área de um campo oficial de futebol.
Desde o início do processo de verificação dos direitos indígenas indígenas, agricultores que ocupam a mesma área – em alguns casos há décadas – questionam o processo na Justiça. Mesmo com a aprovação presidencial, a retirada de não indígenas de Ñande Ru Marangatu está paralisada. Em alguns casos, grupos indígenas e grupos não indígenas que afirmam ter adquirido terras de boa-fé dividem o espaço – é o caso da Fazenda Barra, parcialmente ocupada desde 1998.
Cansadas de esperar por uma solução definitiva, as comunidades indígenas decidiram “retomar” o território aprovado. Segundo o Cimi, a Fazenda Barra foi a última das nove propriedades não indígenas sobrepostas ao território destinado ao usufruto Guarani-Kaiowá que ainda não havia sido totalmente recuperada. Durante a ação, porém, houve confronto com policiais militares.
“A comunidade foi agredida pela Polícia Militar”, garantiu Cimi a partir do depoimento dos indígenas, que registraram, em vídeos, os socorridos das vítimas baleadas. Segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do estado, o policiamento na região foi reforçado, inclusive com o envio de equipes do Batalhão de Choque, que permanecerá no local por ordem judicial para evitar novos conflitos.
Missão
O confronto coincidiu com a visita de representantes de organizações sociais e órgãos públicos federais à região sul de Mato Grosso, palco de recentes confrontos entre produtores rurais e indígenas nas cidades de Douradina, Guaíra e Terra Roxa.
“Ontem à tarde, um grupo de indígenas retornou à Fazenda Barra, sobreposta à Terra Indígena Nhanderu Marangatu, e foi agredido pela Polícia Militar”, afirmou, em nota, o grupo de entidades sociais que integram a missão, destacando que os indígenas “resistem cercados na casa da fazenda” e criticam uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).
“Após o violento ataque da Polícia Militar, a Justiça Federal em Ponta Porã, em decisão polêmica e precipitada, publicada à noite, autorizou a atuação da polícia estadual para proteger a propriedade privada, legitimando a violência contra a comunidade indígena”, endossou Cimi em seu site.
Participaram do grupo que visitou áreas de conflito membros da Comissão de Direitos Humanos D. Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns; do Cimi; o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST); a assembleia dos povos Guarani e Kaiowá Aty Guasu; Campanha Contra a Violência no Campo; Comissão Pastoral da Terra (CPT); Rede de Apoio e Incentivo Socioambiental (Rais), grupos locais de apoio aos povos Avá-Guarani e Guarani-Kaiowá e pastorais sociais, além de representantes dos ministérios dos Povos Indígenas e dos Direitos Humanos e Cidadania, Funai, Defensoria Pública do a União (DPU) e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal.
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