O governo realizou nesta terça-feira (30), na aldeia Panorama, em Rondônia, entre a capital Porto Velho e o município de Nova Mamoré, cerimônia para marcar a conclusão da operação de retirada de invasores da Terra Indígena Karipuna.
O processo de desintrusão, que é a retirada de invasores ilegais, começou em junho e marca o retorno dos povos originários. Os Karipuna já têm direito à área homologado desde 1998, mas só em 2020 conseguiram, no Supremo Tribunal Federal (STF), retirar definitivamente os madeireiros e grileiros que ocupavam a região.
Esta é a quarta desintrusão realizada pelo governo federal desde 2023, segundo o secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas e atual ministro interino, Eloy Terena. As operações também ocorreram nas terras indígenas Apyterewa, Trincheira Bacajá, Alto Rio Gama, no Pará. Na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, a operação ainda não foi concluída.
“A proteção das terras indígenas é um compromisso constitucional do Estado brasileiro”, afirmou Eloy Terena.
Histórico
O povo indígena Karipuna, que já teve uma população em torno de 5 mil pessoas, na época do primeiro contato com os não indígenas, ocupava uma área de mais de 200 mil hectares. Em 1988, a área foi reduzida para 153 mil hectares, um pouco menor que Altamira, no Pará, maior cidade do país em extensão territorial, que tem 159 mil hectares.
O contato com não-indígenas e a chegada de doenças virais, como gripe, coqueluche e varicela, levaram o povo à quase extinção, com apenas sete indivíduos. Agora são 63.
“No passado, muitos morreram por doenças e contato. Quase fomos extintos”, diz André Karipuna, cacique da Aldeia Panorama.
“É nossa missão institucional manter esta terra livre, fazer com que esta população aumente, fazer com que os direitos sociais cheguem, fazer com que todo este cenário do passado não se repita”, destacou Joenia Wapichana, presidente da Fundação Nacional de Povos Indígenas, ao participarem da cerimônia que marcou o fim da extrusão do território.
Desintrusão
A operação de retirada de grileiros e extrativistas ilegais contou com a participação de mais de 20 órgãos federais. Foram apreendidos 54 metros cúbicos de madeira ilegal e destruídos 25 prédios, 17 pontes e seis pontos de acesso a terras indígenas.