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“A avó era poetisa e tinha um braço mágico e invisível.” Na capa de seu novo livro, a escritora Roseana Murray é abraçada pelos dois netos, Luís e Gabi, e aponta, com o braço iluminado e cheio de estrelas coloridas, para uma fênix voando no céu.
Desenhada ora com asas, ora com flores, Roseana parece uma fada nas ilustrações da obra — e em vida, para muita gente que se inspirou na doçura e simplicidade que ela exalava diante da perda do braço direito e de uma orelha após o ataque de três cães pitbull sofridos em abril.
A perda do membro físico, na visão da poetisa, levou ao nascimento do braço invisível, que virou livro, como ela prometeu ainda no hospital: “O Braço Mágico” é lançado hoje, na Janela Livraria, no Shopping da Gávea, na Zona Sul do Rio.
Presentes em quase todas as páginas do livro, os netos ainda a visitaram durante sua estada no Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, e foram uma fonte inesgotável de força.
— Eles precisavam me ver. Eles ficaram ali olhando para mim, foi muito comovente. Já tivemos mais momentos juntos aqui em casa e na casa deles, em Visconde de Mauá. Eles lidam com isso com total naturalidade — diz a escritora, que os transformou em personagens, seguindo sugestão do filho.
— Foi ideia do André, usar os netos como ajudantes, anjos. O texto estava na minha cabeça desde o hospital, mas ainda era muito difícil, muito difícil. Não consegui encontrar o tom. E aí o André falou: “Mãe, chama seus netos para te ajudar”. E então aconteceu. Foi mágico — ela explica o processo de escrita, em que utilizou o bloco de texto do celular.
Flores, cores, “filhos anjos”, fadas e bruxos ilustram a jornada do protagonista, o escritor do braço mágico. Dentre as metáforas criadas, destacam-se as aranhas douradas, simbolizando enfermeiras e técnicos que teciam cuidadosamente os curativos de Roseana. Os desenhos que remetem a um universo de sonhos são do artista e educador Fernando Zenshô.
— São ilustrações oníricas, muito bonitas, sempre têm movimento. O braço parece uma asa, às vezes parece uma flor. É lindo. O braço mágico me trouxe muita coisa — conta Roseana.
Em contraste com os desenhos coloridos, uma página preta com letras brancas anuncia que nem sempre foi assim: “Um acidente fez com que a avó perdesse um braço”. O impacto visual e as poucas palavras promovem uma interrupção abrupta na narrativa: como o episódio trágico pelo qual Roseana passou. Mas a história, como sabemos, não termina aí.
— Foi ideia do ilustrador. Achei espetacular e muito impactante. Não precisa falar muito – diz Roseana, que afirma fazer dois aniversários: um no dia em que veio ao mundo, em dezembro, e outro quando nasceu seu braço mágico, em abril. — O lançamento do “Braço Mágico” será como uma festa de aniversário do meu renascimento.
O livro retoma a narrativa explicando o que muda: para tarefas simples do dia a dia, como cozinhar, por exemplo, ela precisa da ajuda de outras pessoas.
— Os primeiros dias foram muito, muito dolorosos. As feridas abertas. Agora há dias melhores e piores. Demoro mais para fazer as coisas. Ainda não me atrevi a cozinhar, preciso de alguém comigo — diz ela, que ainda estuda a adoção de uma prótese. — Talvez consigamos um comum, para ajudar no apoio e equilíbrio. Meu sonho é a prótese biônica, mas é muito cara.
Processo de adaptação
Os últimos quatro meses foram de adaptação. Ela explica que o braço amputado ainda dói, com espasmos e pontadas agudas, como uma dor fantasma. A fisioterapia é uma prática semanal, assim como as aulas de italiano e francês.
A literatura ajudou. Além de escrever, ela lê outros livros em que os personagens sofreram amputações, em busca de referências.
Muito apoio familiar e carinho de pessoas de todo o mundo fazem parte do “remédio”. Autora premiada de literatura infantil, com mais de cem livros publicados, ganhou mais notoriedade após o incidente.
— As pessoas vêm na minha casa, me reconhecem na rua, mandam flores. Havia muitos anjos no meu caminho. Tinha uma criança que vinha quase todos os dias com a mãe e esperava do outro lado da rua para me ver. Um dia nos conhecemos. Ela apenas me abraçou — ela diz.
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Na última terça-feira, Roseana fez uma nova carteira de identidade e rubricou-a com a mão esquerda. “A sinalização ainda é difícil”, diz ela, pois não treinou muito. Ao lado de Juan Arias, seu companheiro de vida, ela comemora com entusiasmo o lançamento do novo livro.
— Acho que este livro é adequado para diferentes idades. Uma criança com deficiência se reunirá, mas uma criança sem deficiência e um adulto também poderão se reunir.
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