A ministra da Mulher, Cida Gonçalves, esteve na Câmara Municipal de Campo Grande nesta segunda-feira (12) para discutir com autoridades municipais e estaduais a igualdade de gênero entre homens e mulheres no ambiente de trabalho.
O debate, convocado pela Comissão Permanente de Políticas e Direitos da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos da Câmara, contou com a participação dos vereadores Luiza Ribeiro (presidente), Júnior Coringa, Valdir Gomes, Clodoilson Pires e Gian Sandim.
O debate teve como objetivo discutir a igualdade de gênero nos locais de trabalho e a eficácia da lei federal 14.611/23, que determina a igualdade salarial. Segundo a ministra, diversas situações dificultam a atuação das mulheres no mercado de trabalho e ela pede que elas se comprometam com a causa nos espaços públicos.
“Não podemos esperar séculos para alcançar a igualdade salarial. A humanidade não vai aguentar. As mulheres ganham menos que os homens pelo mesmo trabalho, segundo as próprias empresas. A desigualdade tem gênero, e há também a questão racial. Precisamos também de pensar que a maioria das mulheres não aparece nos relatórios. Precisamos de discutir não apenas a igualdade de remuneração, mas também a igualdade entre homens e mulheres. É preciso levar esse debate para a sociedade de forma forte e tranquila”, pontuou.
Embora a igualdade salarial esteja prevista na Constituição Federal e na Consolidação das Leis Trabalhistas, essa igualdade ainda não é plenamente respeitada na sociedade. Para garantir os direitos das mulheres, foi instituída a Lei 14.611, de 3 de julho de 2023, que assegura critérios de igualdade salarial e remuneratória entre homens e mulheres, com regulamentação adicional pelo Decreto nº 11.795/2023, do Presidente Lula em 23 de novembro de 2023 . Este decreto exige que as empresas publiquem relatórios de transparência salarial em seus sites e redes sociais.
“A WHO [Organização Mundial da Saúde] estima que as disparidades salariais entre homens e mulheres deixarão de existir dentro de 170 anos. Nenhum de nós verá o fim desta desigualdade. Temos problemas muito sérios envolvendo as mulheres. A distinção é proibida desde a época da Declaração Universal dos Direitos Humanos e a igualdade entre homens e mulheres pode ser imposta em qualquer país do mundo”, afirmou o presidente do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 24ª Região, desembargador João Marcelo Balsanelli.
Segundo dados do Relatório Nacional de Transparência Salarial e Critérios de Remuneração, apresentado em março pelos Ministérios do Trabalho e Emprego e da Mulher, as mulheres no Brasil ganham, em média, 19,4% menos que os homens. Essa disparidade salarial é ainda maior nos cargos de liderança, chegando a 25,2%.
Preocupado com a situação, o procurador-geral do Trabalho, Jonas Ratier Moreno, afirmou que o tema precisa ser mais debatido na sociedade.
“Essa diferença é preocupante”, disse o procurador-geral do Trabalho, Jonas Ratier Moreno. “Essa audiência é acertada para abordar esse assunto e trazer a comunidade para o debate. A igualdade não pode ser formal, tem que ser material. Deve ser realizada tanto na esfera privada como no serviço público. As mulheres enfrentam uma jornada tripla e as capacidades das mulheres não podem ser medidas com base no género. É uma construção coletiva”, defendeu.
Segundo dados do relatório nacional, a situação é ainda mais grave para as mulheres negras, que, além de estarem em menor número no mercado de trabalho (2.987.559 empregos, representando 16,9% do total), enfrentam uma renda mais desigual. . Enquanto o salário médio das mulheres negras é de R$ 3.040,89, o que corresponde a 68% da média nacional, o dos homens não negros é de R$ 5.718,40, 27,9% superior à média. Elas recebem apenas 66,7% da remuneração das mulheres não negras.
“Buscamos a equidade de gênero. Somos todos diferentes e somos importantes. Nossa diferença não pode representar desigualdades, mas sim nosso máximo poder como sujeito de oportunidades. Que possamos continuar nessa jornada em busca da igualdade de gênero, racial e étnica”, disse a subsecretária de Políticas para as Mulheres de Mato Grosso do Sul, Manuela Nicodemos.
Além da ministra da Mulher, Cida Gonçalves, o debate contou com a presença de dirigentes sindicais, deputados federais e estaduais e representantes dos poderes Executivo e Legislativo. Para o Superintendente Regional do Trabalho de Mato Grosso do Sul, Alexandre Moraes Cantero, os direitos das mulheres devem ser parte integrante do sistema de proteção social.
“Só assim poderemos construir uma cidade justa e fraterna, pois são valores que devemos defender. Os direitos das mulheres são inalienáveis. A discriminação salarial é incompatível com a dignidade humana e o valor social do trabalho, que são os alicerces de qualquer relação jurídica”, analisou.
Lei de Igualdade Salarial
A Lei da Igualdade Salarial (14.611/2023) estabelece a obrigatoriedade da equiparação salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função na mesma empresa. Esta lei visa combater a desigualdade de género no local de trabalho e promover a igualdade salarial.
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