Uma nova técnica de restauração ecológica desenvolvida no Estado promete revitalizar áreas do Pantanal devastadas por queimadas a partir de mudas oriundas da regeneração natural. O projeto é desenvolvido na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e realizado em parceria com os povos indígenas da região. Além da técnica que visa restaurar o bioma, para o setor produtivo, no caso de pastagens e lavouras, a estratégia de recuperação também está focada em plantas com desenvolvimento mais rápido.
Segundo a bióloga e doutoranda Letícia Koutchin, enriquecer áreas com mudas coletadas de fragmentos naturais não afetados é uma alternativa viável, principalmente para regiões de difícil acesso e que foram fortemente afetadas pelas queimadas.
Letícia explica que a técnica consiste no transplante de mudas de espécies abundantes, garantindo que não haja impacto nas populações mais raras. “Essas mudas já possuem adaptabilidade genética local, o que aumenta as chances de sobrevivência após o transplante”, destaca.
A utilização de mudas menores, com altura entre 10 e 40 centímetros, é fundamental, pois são mais resistentes ao processo de remoção de solo. Para proteger essas mudas dos herbívoros, recomenda-se cercá-las com materiais simples como tela de galinheiro.
A bióloga destaca que o mapeamento das áreas prioritárias para restauração foi crucial para o sucesso da iniciativa, enfatizando também a necessidade de avaliar as áreas mais afetadas, com foco nos locais onde a perda de espécies sensíveis ao fogo foi significativa.
“Em áreas que não são queimadas há décadas e foram impactadas, a avaliação local é fundamental para determinar se é necessário o enriquecimento com mudas”, afirma. Letícia afirma que o uso do transplante de mudas é uma ferramenta promissora para a recuperação do Pantanal, já que o bioma é altamente vulnerável às queimadas.
“A técnica pode auxiliar na recuperação da vegetação nativa, promovendo a regeneração natural e estabilizando o solo, o que contribui diretamente para a resiliência ecológica do bioma”, explica.
O pesquisador acrescenta que além desses aspectos relevantes, espera-se que a técnica, quando integrada a outras práticas de restauração, possa melhorar a biodiversidade e a conectividade ecológica no Pantanal, favorecendo a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais para a fauna e as comunidades locais. .
PRODUÇÃO
A pesquisadora Michely Tomazi, da Embrapa Agropecuária Oeste, explica que a queima deixa o solo completamente desprotegido, resultando na perda de nutrientes essenciais presentes na palha, como nitrogênio e enxofre, além da matéria orgânica presente na superfície do solo.
“O resíduo que fica nas cinzas ainda pode ser facilmente transportado pela água durante as primeiras chuvas. Além do aspecto químico, a biota também é afetada pelo calor do fogo, com redução de material vegetal na superfície do solo”, relata Michely.
Segundo o pesquisador, a recuperação do solo após um incêndio é um processo que exige tempo e estratégias específicas.
“Além das perdas de solo e de nutrientes que podem ocorrer com as chuvas, as altas temperaturas nesse período representam alto risco de problemas de germinação e estabelecimento das culturas”, explica.
Michely cita que uma das formas mais eficientes de recuperação é o cultivo de plantas com alta capacidade de produção de biomassa, como a braquiária em consórcio com crotalária e outras culturas onde predominam gramíneas na mistura.
Porém, ela ressalta que, com a aproximação do início da colheita de verão, muitas vezes essa estratégia ideal se torna inviável, considerando as áreas de cultivo onde o produtor não pode abrir mão da principal safra de verão – que, em geral, é a soja.
“Uma alternativa viável é o cultivo de culturas de rápido crescimento durante a primavera, fornecendo palha no curto prazo. Exemplos de plantas bem adaptadas a esta estação e que apresentam rápido crescimento incluem o milho-miúdo, a crotalária e a juncea. Essas plantas desenvolvem-se rapidamente nesse período, com acúmulo satisfatório de palha em até 50 dias”, acrescenta o pesquisador, destacando as alternativas para recuperação de áreas destinadas à produção agrícola.
INDÍGENA
O projeto GEF Terrestre, administrado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), tem se destacado por apoiar iniciativas de restauração em biomas que muitas vezes recebem menos recursos, como a Caatinga, o Pampa e, principalmente, o Pantanal. Com iniciativa do governo brasileiro, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o projeto é implementado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e executado pelo Funbio.
Segundo a professora do Instituto de Biociências da UFMS, Letícia Couto, o projeto tem sido fundamental para a realização de estudos em parceria com os alunos da UFMS.
“Além disso, colaboramos com as comunidades indígenas, oferecendo suporte técnico e científico para a restauração ambiental. Trabalhamos principalmente com as etnias Kadiwéu, Terena e Kinikinau, promovendo a partilha de conhecimentos sobre restauração socioecológica e manejo do fogo”, detalha.
Com o kadiwéu, por exemplo, a professora explica que está sendo avaliada a biologia do pau-santo, planta rara e ameaçada e de grande importância sociocultural para a etnia, pois sua resina é utilizada na cerâmica tradicional.
“Nossos estudos vão desde a ocorrência e fenologia até a coleta de sementes, germinação, armazenamento e produção de mudas”, relata Letícia. A parceria com os Terena e Kinikinau, segundo o professor, é voltada para a recuperação de nascentes, onde são realizados diagnósticos, coleta de sementes, semeadura e transplante de mudas.
“Além disso, monitoramos as áreas e testamos técnicas de manutenção para garantir a recuperação efetiva dos ecossistemas afetados pelo incêndio. Essa abordagem integrada é crucial para a resiliência do Pantanal e a preservação da biodiversidade local”, reitera.
500 propriedades rurais
A Famasul identificou que mais de 500 propriedades rurais sul-mato-grossenses localizadas no Pantanal foram atingidas por incêndios entre junho e 10 de agosto.
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