Em cerimônia marcada pela euforia e comemoração dos integrantes do Teatro Oficina, a prefeitura de São Paulo e o Grupo Silvio Santos oficializaram o acordo que transfere ao poder público o terreno que abrigará o Parque do Rio Bixiga.
O espaço foi alvo de uma briga de décadas entre o dramaturgo Zé Celso e Silvio Santos — e, no final, venceu a ideia de transformar o local em parque.
Na manhã desta sexta-feira, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o presidente do Grupo Silvio Santos, José Roberto Maciel, assinaram o documento que põe fim à disputa.
A prefeitura pagou R$ 65 milhões à empresa pelo terreno, e o local futuramente se tornará um parque. Por enquanto se chama Parque do Rio Bixiga, mas há disputas na Câmara Municipal sobre homenagear Silvio Santos ou Zé Celso com o nome do futuro espaço.
A prefeitura realizará um concurso público, organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), para definir o projeto do futuro parque. Após o projeto, será feita uma licitação para a obra. O prefeito estima que o parque poderá ser entregue no final de 2025.
Em julho, a Câmara Municipal aprovou uma alteração ao Plano Diretor Estratégico da cidade para incluir o parque na lista de novas instalações verdes previstas para os próximos anos.
— A escritura está feita, a área é nossa, o parque é nosso — comemorou Nunes ao assinar o documento.
História de conflito
A briga entre Zé Celso e Silvio Santos começou na década de 1980, porque o dramaturgo queria manter o projeto original do Teatro Oficina, fundado por ele em 1958.
Sua sede foi reformada entre 1984 e 1994 com projeto de Lina Bo Bardi (1914 -1992) e Edson Elito, e é considerada patrimônio histórico pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). O edifício é caracterizado por uma grande janela lateral, que permite ver a cidade durante a montagem.
Porém, há 43 anos, o apresentador e empresário comprou um terreno adjacente ao teatro, com planos de construir um prédio com mais de 100 metros de altura para o Grupo Silvio Santos, e o diretor entrou na Justiça para impedir.
Em 2016, um projeto de construção de três torres da Sisan, braço imobiliário do Grupo Silvio Santos, foi proibido pelo Condephaat, mas no ano seguinte a decisão foi revertida. Os dois se reuniram em diversas reuniões, mas não houve solução consensual.
Um “abraço” no bloco Oficina, convocado por Zé Celso, reuniu mais de mil pessoas em 2017, entre elas o apresentador Marcelo Tas, o ator Sérgio Mamberti, o cantor Otto e o então vereador Eduardo Suplicy (atual deputado estadual pelo PT).
Em 2022, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) proibiu a prefeitura de autorizar a construção de um empreendimento imobiliário com mil apartamentos no terreno, que havia sido liberado pelos órgãos de preservação municipais.
Um projeto de criação do Parque do Bixiga (que seria negociado por meio de permuta de terreno com Silvio Santos) foi aprovado em duas votações, mas acabou vetado em 2020 pelo prefeito em exercício Eduardo Tuma. O Grupo Silvio Santos recorreu para segunda instância.
Após a morte de Zé Celso, em 2023, a Prefeitura e o Ministério Público começaram a tentar um acordo com o grupo empresarial, que foi fechado este ano. A prefeitura concordou em pagar R$ 65 milhões pelo terreno, que foi pago à vista nesta sexta-feira.
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