Nestes tempos de transição energética, uma das preocupações dos produtores rurais, independentemente do porte do empreendimento, tem sido tornar o negócio cada vez mais sustentável sem perder eficiência e rentabilidade. Dentre as soluções que contribuem para isso, destaca-se a energia solar fotovoltaica.
Limpa e inesgotável, esta fonte de energia é uma alternativa relevante para uma produção não só mais económica, mas também ambientalmente responsável. Independentemente do tipo, a produção de energia elétrica gera impactos negativos ao meio ambiente, em maior ou menor proporção, dependendo de cada matriz.
As usinas hidrelétricas, por exemplo, não são isentas de emissões. Reservatórios, sistemas aquáticos artificiais, são fontes de emissões de gases. Isso ocorre devido à decomposição da matéria orgânica inundada pelo reservatório (vegetação, solo e algas nele produzidas) e fora dele (sedimentos, matéria orgânica originária da bacia hidrográfica), gerando emissões de dióxido de carbono e metano, que são gases de efeito estufa. . Estufa (GEE).
As águas profundas dos reservatórios também sofrem elevada pressão hidrostática e, ao passar pelas turbinas da usina, essa pressão cai abruptamente, liberando grande parte dos GEE. A queima de combustíveis fósseis para gerar eletricidade é o principal contribuinte para as emissões de GEE, impactando a saúde pública e contribuindo para a crise climática.
Além de utilizar recursos naturais esgotáveis, a energia produzida pelas termelétricas, a partir da queima de petróleo, carvão ou gás natural e da fissão nuclear, são menos sustentáveis, pois emitem grandes quantidades de GEE. Isto torna a energia solar fotovoltaica a solução energética mais viável para a rede pública de distribuição elétrica tradicional.
Interior
Ao final de 2023 (dados mais recentes), o Brasil rural contava com quase 202 mil sistemas instalados (8,74% do total), gerando perto de 15% da energia. Em pouco mais de três anos aumentou pelo menos seis vezes. A porcentagem parece pequena, mas foi muito pior. Há cinco anos, os produtores rurais detinham apenas 1% de participação na geração total de energia solar.
Equipamentos cada vez mais eficientes, queda de preços e novas regulamentações também impulsionaram o uso da energia solar no campo. Estima-se que nos últimos dez anos o período de retorno do investimento de quem aposta no sistema tenha diminuído de dez ou 12 anos para três ou quatro anos. Quanto aos custos, o preço de um módulo fotovoltaico caiu entre 30% e 40% em 2023, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar).
O sistema funciona de duas formas: em rede, quando conectado à rede pública de distribuição elétrica; e off grid, quando opera de forma autônoma. No caso do primeiro, o excesso de energia produzida pelos painéis solares é absorvido pela rede, e o proprietário da unidade produtora ganha créditos para descontar em contas futuras.
Off grid, autônomo, ou seja, não integrado à rede pública de energia elétrica, é o sistema ideal para localidades distantes da rede ou sem acesso à distribuição de energia, como áreas rurais, tanto em ambientes produtivos quanto residenciais. A energia produzida é armazenada em baterias, garantindo o abastecimento durante a noite ou em períodos sem geração ou com variação na produção de energia, como pode ocorrer em dias nublados, conferindo ao imóvel total autonomia energética.
Custos
O agricultor Thiago Cordeiro, sócio da Fazenda das Pinhas, em Inajá, no Sertão, onde cultiva pinhas e atemoia, decidiu investir em um sistema de energia solar há um ano e meio. Os custos, principalmente com a irrigação de 12 hectares, que variavam entre R$ 5 mil e R$ 7 mil mensais só com energia elétrica, exigiam dele uma solução.
A migração para a energia solar fotovoltaica, realizada pela empresa Ekosolar, exigiu investimentos de cerca de R$ 70 mil. O produtor tinha a opção de financiar o sistema em até cinco anos, como muitos agricultores vêm fazendo, pois a maioria dos bancos hoje oferece essa possibilidade, mas ele não quis. Ele preferiu usar seus próprios recursos.
“Depois que migramos para a energia solar, passamos a pagar o valor mínimo da conta, que é de aproximadamente R$ 130. Os painéis que adquirimos atendem às necessidades do imóvel e ainda sobra resíduo, que vai acumulando”, explica Cordeiro.
Se o negócio do Thiago ainda não dá dimensão do tamanho da economia que a energia solar proporciona, imaginem grandes produtores que possuem estufas para produzir, por exemplo, hortaliças hidropônicas (sem uso de terra) em estufas, que necessitam do motor correndo o dia todo para fornecer fertilizante e água às plantas. Ou ainda aquelas que possuem câmaras frigoríficas para armazenar frutas mais sensíveis ao tempo, como o morango. São custos muito elevados que podem ser reduzidos consideravelmente com o uso da energia solar.

Propriedades rurais de menor porte, localizadas em áreas onde não há rede elétrica ou muito distantes, dificultando a extensão do cabeamento de energia para conexão à rede elétrica, não estão isentas do acesso à energia solar. A alternativa são os chamados kits solares off grid, que são acessíveis. “Imagine, por exemplo, um produtor de camarão que tem uma fazenda no meio do nada, onde a rede elétrica não chega. Esse tipo de sistema é a solução para esse produtor”, ilustra o diretor comercial da Ekosolar, empresa especializada em sistemas fotovoltaicos, Felipe Lemos.
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